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domingo, outubro 12, 2025

O SONHO DO CURIOSO - CHARLES BAUDELAIRE - TRAD. ERIC PONTY

 A AUGUSTE POULET-MALASSIS
 [Paris,] 13 de março de 1860.
 


Aqui estão mais alguns versos. Já temos vinte e cinco peças, sem contar três poemas iniciados | Dorothée, ideal da beleza negra, — La Femme sauvage, dedicado a uma pequena amante, — e Plutus, o Amor e a Glória), enfim, um prefácio iniciado, tudo isso em Honfleur. Como lhe disse, terei absolutamente de voltar lá no final deste mês; pelo menos para organizar o livro, e se estas últimas peças não estiverem terminadas, sacrificá-las-ei, mas com pesar. Acabei de reler estas vinte e cinco peças; não estou totalmente satisfeito; há sempre pesadões e violência de estilo. — A esse respeito, recebeu Obsessão e Um fantasma? O que acha dos dois últimos tercetos do primeiro soneto de um fantasma? Eu virei e revi a coisa de todas as maneiras. Quando o chapéu ficou bem grande, reconheci a senhora tal. Isso é francês, mas isto:

ao leve deslumbre oriental, (êxtase do espectro) 
Quando atingiu a tua plenitude,
eu reconheço qual um belo visitante.

Sempre haverá casos embaraçosos. Continuo a duvidar que possamos fazer dois volumes em seis semanas. Teremos de pensar mormente nos Flores, em cartazes, anúncios e propagandas. Se me acham indiscutível, e se têm medo de De Broise, eu investirei o meu dinheiro. A natureza inteiramente impopular do meu talento impede-me de descuidar os meios grosseiros. (Citações algumas semanas antes da venda, cartazes, anúncios e propagandas durante a venda.) Ontem à noite, dei este soneto a Nadar; ele disse-me que não compreendia nada, mas que isso se devia sem dúvida à escrita e que os caracteres tipográficos o tornavam mais claro. Quanto à segunda peça, dedicada a Guys, ela não tem com ele outra relação positiva além desta: é que, como o poeta da peça, 47 geralmente acorda ao meio-dia.

 O SONHO DO CURIOSO

Ao Sr. FÉLIX NADAR. 

Tu me conheces, como a mim, dor saborosa? 
Mulheres soem dizer a respeito: "Que homem 
singular"? - Eu estava prestes para morrer. 
Isso estava então escrito em minha alma, 

Desejo mexido com horror, um mal particular;
Quanto mais a ampulheta fatal se despejava, 
mais amarga e amena se tornava a minha tortura; 
todo o meu peito foi carpido do mundo familiar.

Eu era qual na Infância, ávido pelo fisco., 
odiando a cortina qual se odeia um obstáculo. 
Mas então uma ideia estranha me congelou:
 
- Eu estava morto, divina! e a terrível alva o tinha. 
- O que", eu disse a mim, "é tudo o que há para fazer? 
A tela estava içada e eu ainda estava esperando.

Em relação a Méryon, entende por comprar placas, comprar as placas de metal ou o direito de vender indefinidamente as provas? — Compreendo que receie conversar com Méryon. Deveria tratar do assunto por carta (20, rue Duperté). Aviso-o que o grande receio de Méryon é que um editor altere o formato e o papel. | Quanto ao caso Daumier-Crépet, boa ideia. Nós concordamos.

 Quando recebi minhas provas? 
Quando você vem a Paris? 
E a varíola?

Não recebi nenhuma notificação dos correios. 
Todo seu. 

CH. BAUDELAIRE-TRAD.ERIC PONTY.

    ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA

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