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sábado, outubro 11, 2025

O Lenheiro e as flechas, o estridente - Eric Ponty

 

Celebraste a passagem soberana
Das grandes trilhas, caminho fremente
Da sanha bruta, o entrechocar da margem
Dos imortais vibrados rijamente,

O Lenheiro e as flechas, o estridente
Troar deste trem, e o canitar dos cem...
E, eternizando a urbe americana,
Vives eterno em tua tumba ingente.

Estas revoltas, largos rios, manhas 
Minas fecundas, ferros seculares
Verdejantes e amplíssimas das brenhas

Fundem teu nome: e a pira que pulsaste
Inda se olvida, a derramar nos lares
O estridor dos discursos que contaste.

II

Talvez pensaste, quando o vi. Mas lia
Que, aos raios d´água iluminada,
Entre as paisagens trêmulas ardia
De infinita e cintilante foz cada.

E eu olvida-a de baixo, olvida-a... Em cada
sombra, que o douro mais límpida cria,
Negro e sereno, um anjo a harpa parada,
Para cantar de súplicas, teria...

Tu, lua sagrada! Vós também, tão belas
Miragens! Fados meus! íeis por ela
Como um prado de sanhas vaporosas.

E, oh minha luz! Eu te catava, quando
Vi que altivo surgias, alívio e bela,
O olhar dançante para o meu passando...
ERIC PONTY
   ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA

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