P/ Andrea Neves da Cunha
AD ALTA
Estância da Saudade e da Arca da Aliança,
Remanso imemorial dos eternais luares,
O céu de Santa Helena é a ínclita e egrégia herança
Dos que têm fé no Deus que andou por sobre os mares,
Ai! longo tempo errei, morto e alheio à Esperança
E tu, mansão de amor, longe de me deixares,
Deste ao meu desvario o balsamo e a bonança,
Deste ao meu ser infiel a Hóstia dos teus altares.
Movi ao vero Amor iníqua e infinda guerra,
Mas o Arcanjo, brandindo o gladio que flameja,
Fala à minha traição: «Paz aos homens na terra!
E vendo-me chorar, na treva alguém pragueja
Contra a glória imortal de tudo o que se encerra
Sob o pálio ancestral da Santa Madre Igreja.
JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE
TRIO DA LUZ RELVA
II
Sempre do templo, luz acende dos murmúrios,
hora sempre apegadas tintos surtos diurnos,
sempre rupestre voz meditada dos rios,
Da quase sempre brisa abertos destes múrrnuros.
Tempo encosta-se foz fluida da alma se inquieta,
Mansa água deste acaso azul primaveril,
acalanta, silencia-se insinua aquietar,
não consegue do prado do manso de abril.
Se nesta selva crua tudo se fez da viagem,
do adultério vil sombra dês rés que vexames,
misturados da reza eclodida da aragem.
Da vida clandestina ao vassalo tão ágrafo,
consciência bradada muda aos deuses estames,
rebaixados nos cios dos prantos dum agrafo.
III
Deste mar afronta ásperas das vozes,
agitadas das mãos, longe do dia,
em ilhargas dos cantos sóbrios pobres,
homens fiudos oceanos desta abébia.
Em silêncios urdidos destas sombras,
corvejados em fogo destes céus,
desgrenhados cabelos das desdobras,
tecidas da hera cinta destes réus.
No silêncio à luz árdua da visão,
redor da branca da ave na plumagem,
em murmúrios perenes da bênção.
Sobre o mar nesta aragem duplo olvido,
prazer do brio no espaço da ramagem,
vazio prazer da concha mar olvido.
ERIC PONTY
Nenhum comentário:
Postar um comentário