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sexta-feira, outubro 13, 2023

THE PHOENIX AND TURTLE - WILLIAM SHAKESPEARE (Integral) - Trad. Eric Ponty

Que o pássaro mais alto pouse
Na única árvore da Arábia
Que seja arauto triste e trombeta,
A cujo som obedecem às asas castas.
Mas tu, arauto gritante,
Precursor do demónio,
augúrio do fim da febre.
A esta trupe não te aproximes.
Desta sessão interditai
Toda a ave de asa tirana
Salvo a águia, rei emplumado.
Mantenham a exéquias tão rigorosa.
Que o padre de sobrepeliz branca
Que a música defunta pode,
seja o cisne da morte,
para que o réquiem não lhe falte.
E tu, corvo de data tripla,
Que o teu género de zibelina faz
Com o sopro que dás e tomas,
"Entre as nossas carpideiras ireis.
Aqui começa o hino:
O amor e a constância estão mortos,
A Fénix e a tartaruga fugiram
Numa chama mútua daqui.
Assim se amaram como amor em dois
Tinham a essência, mas numa só,
Dois distintos, divisão nenhuma.
Número ali no amor foi morto.
Corações afastados, mas não separados,
Distância e nenhum espaço foi visto
Entre está tartaruga e a sua rainha.
Mas neles era uma maravilha.
Tão grande era o amor entre eles
Que a tartaruga viu o seu direito
Flamejante na visão da Fénix.
E um era o meu do outro.
A propriedade ficou assim chocada
Que o eu não era o mesmo.
O nome duplo da natureza única
Nem dois nem um era chamado.
A razão, em si mesma confundida,
Viu a divisão crescer junto
Para si mesmos, mas nem um nem outro,
Os simples eram tão bem compostos
Que gritava: "Como é verdadeiro o duplo
Parece que está concordância é uma só!
O amor tem razão, a razão nenhuma,
Se as partes podem assim permanecer.
E sendo assim que fez esta trena
À fénix e à pomba,
Co supremas e estrelas do amor,
Como coro da sua trágica cena.

TRENOS

Beleza, verdade e raridade,
Graça em toda a simplicidade,
Aqui encerrados em cinzas jazem.
A morte é agora o ninho da fénix,
E o peito leal da tartaruga
Para a eternidade repousa.
Não deixando posteridade
Não foi a sua enfermidade,
Foi a castidade conjugal.
A verdade pode parecer, mas não pode ser,
A beleza gaba-se, mas não é ela.
A verdade e a beleza estão enterradas.
Que a esta urna reparem aqueles
Que sejam verdadeiros ou belos.
Por estas aves mortas suspira uma prece.

SHAKESPEARE-Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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