A poesia de Catulo chegou até nós numa antologia de 116 carmina, que pode ser dividida em três partes: sessenta polímeras curtas em vários metros, oito poemas mais longos e quarenta e oito epigramas. Não há consenso académico sobre se Catulo organizou esta ordem dos poemas.
Os poemas mais longos diferem dos polimetra e das epigramas não só pela extensão, mas também nos seus temas. Há sete hinos e um mini-épico, ou epilião, sendo uma forma muito apreciada de poesia narrativa. A polimetra de Catulo e os epigramas podem ser divididos em quatro grandes grupos temáticos:
Poemas dirigidos e relativos aos amigos do poeta, poemas eróticos, incluindo os famosos poemas dirigidos à amada do poeta à amada "Lésbia", pseudónimo de uma amante casada invectivas: frequentemente ofensivas e por vezes obscenas, dirigidas a amigos que se tornaram traidores, rivais de Lésbia, poetas conhecidos, políticos (incluindo Júlio César) e retores (incluindo Cícero) condolências: para confortar e lamentar amigos e entes queridos.

LEMBRAI-VOS, Graças e Amores, e todos vós que as Graças amam. O pardal da minha senhora morreu, o pardal de estimação da minha senhora, que ela amava mais do que os seus próprios olhos, porque era doce como o mel e conhecia a sua senhora tão bem como uma moça conhece a sua própria mãe. Não se afastava do seu colo, mas, saltando ora aqui, ora ali, continuava a chilrear só para a sua dona agora ele vai pela estrada escura, para onde dizem que ninguém regressa. Mas maldição sobre vós, malditas sombras de Orcus, que devoram todas as coisas bonitas! Meu pardal bonito, vocês levaram-no. Ah, cruel! Ah, pobre passarinho! Tudo por tua causa, os olhos prezados da minha senhora estão pesados e vermelhos de chorar.
Chorem cada Vénus celeste, todos os Cupidos,
Chorem todos os homens que têm alguma graça em vós.
Morto o pardal, em quem o meu amor se deleitava,
O querido pardal, em quem o meu amor se deleitava.
Sim, muito precioso, sobre os seus olhos, ela segurou-o
Doce, todo mel: a ave que a saudou
Senhora, como se saúda a mãe da moça.
Nem se afastava dos seus braços, mas só
Saltando em torno dela, para cá ou para lá,
e não se lhe dava com ninguém.
Agora ele percorre o caminho de luz,
de onde, dizem-nos, não há espera de regressar.
Maldade em vós, as sombras do mal Orcus,
sombras que devoram todas as belas coisas felizes,
Um pássaro tão belo e feliz vós o tomastes.
Ah! por piedade; mas ah! por ele o pardal,
O nosso pobre pardal, em quem pensar
Que os olhos de minha senhora se coram de raiva.
Catulo- Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA
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