Eu juro, tuas donzelas estúpidas, são todas iguais.
Não têm cérebro nenhum. Quando aparece um bom homem,
Um bom partido, e não um tipo vulgar,
Tens de o envolver e não o largar.
E como? Pelo meio do senso comum e da conduta correta,
Seduzindo-o e rejeitando-o à vez;
E de vez em quando, de passagem, como se fosse,
Para insinuar o casamento, - mas acima de tudo olhar
Para manter intacta a sua preciosa donzela.
Essa dádiva inestimável - é como uma palavra dita –
Uma vez deixado, nunca mais o recuperará.
Ou se, para o casamento, não há qualquer esperança,
pelo menos, deveríeis lucrar de alguma forma,
Ou beneficiar os teus parentes; tens de pensar:
"Ele não me vai amar para sempre como hoje,
E mimar-me com presentes". Mas não, tu não!
Nunca pensaste em colher enquanto podes!
Sempre que ele aparece, transformas-te em papa;
Atendes a todos os seus caprichos e desejos;
Ficas pendurada no pescoço dele o dia todo, -
Depois, de repente... o teu encantador companheiro
vai-se embora
Ofuscar-se sem deixar rasto. E tu?
Ficaram sem nada. Oh, tuas donzelas estúpidas!
Já vos disse isto uma centena de vezes ou mais:
Cuidado, minha menina, e não sejas tão tola,
Para deitar fora a boa sorte quando ela chega;
Não deixes o Príncipe fugir, nem te desperdices
Cedendo demasiado cedo. E tudo para quê?
Para que possas chorar para sempre e lamentar
do que se perdeu e se foi.
II
Oh, vamos! Queres saber o que fazem os príncipes?
Enviam os seus cães de caça para matar raposas e lebres,
Insultam os vizinhos nas suas festas luxuosas,
E acolhem donzelas simples como vós.
Oh, sim, ele trabalha tanto, o pobre, pobre homem!
Enquanto eu me sento, e deixo a água correr!...
Não tenho paz nem de dia nem de noite;
Há sempre alguma coisa para reparar - alguma fuga,
Alguma tábua a apodrecer! Se tivesses tido o bom senso
De pedir ao Príncipe um pouco de dinheiro
Para reparar o moinho, estaríamos ambos melhor.
Filha:
Enfim lembraste-te de mim, meu amor!
Devias ter vergonha de me deixar sofrer,
Para me torturar com uma espera sem fim.
Que imaginações terríveis eu tive!
Que sonhos terríveis me encolheram a alma!
Pensei que o teu cavalo podia ter fugido de repente,
e atirá-lo para um pântano ou para um penhasco;
Que os ursos te tinham vencido na floresta,
Que estavas doente... ou apaixonado por mim...
Mas graças a Deus, ainda estás vivo e inteiro,
E amas-me tal qual sempre amaste, meu Príncipe.
Alexande Puchkin - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

Nenhum comentário:
Postar um comentário