Ah! ele foi-se embora - e eu sozinha! -
Como o tempo parece sombrio e triste!
Assim é, quando o alegre sol já partiu,
A noite correu sobre o clima indiano.
Não há nenhuma estrela pra alegrar esta noite?
Nenhum crepúsculo reconfortante para o peito?
Sim, a Memória derramou a sua luz de fada,
Aprazível qual o oeste dourado do pôr do sol –
E a esperança da aurora - oh! mais brilhante
Do que as nuvens que no oriente ardem;
Mais bem-vinda que a manhã nasceu,
É o pensamento querido - ele voltará!
Lamúria
Esta manhã, o teu galante barco, amor,
Navegou no mar ensolarado;
É meio-dia, e as tempestades d`arca, amor,
Destruí-o no sotavento do templo da cor,
Ah, ai! ah, ai! ah, ai!
Por espíritos das profundezas
Ele é embalado na correnteza,
Para o seu sono sem acordar!
Tu estás deitado na margem, amor,
Ao lado da onda crescente; lenta
Mas as ninfas do mar, sempre mais, amor,
Cantarão tristemente o teu canto.
Venha! Venha! Vinde!
Espíritos das profundezas!
Enquanto perto do seu mar - nós dormimos,
Sendo minha vigília solitária eu mantenho.
Do outro lado do mar, amor,
Ouço um lamento selvagem,
Pela voz do Eco, para ti, amor,
Das cavernas do oceano enviado:
Ó arranjo! Ó tabela! O verso!
Que os espíritos das essências,
Soam alto o teu lamento de dor,
Enquanto eu choro para sempre!
Quando não for mais, está harpa que toca
Quando não for mais, está harpa que toca
Com os tons profundos da paixão,
Ficará pendente com cordas rotas e destoantes
Sobre o meu monte sepulcral;
Então, como a brisa da noite
O teu quadro solitário e arruinado,
"Procurará a música que outrora,
Para cumprimentar os teus murmúrios.
Mas em vão os ventos noturnos soprarão
Sobre todos os fios que se apodrecem,
Mudo como a forma que dorme na morte,
Repousará essa lira quebrada no tempo.
Ó Memória! sejas a tua unção, por favor,
Derramada então em torno do meu leito,
Como o bálsamo que assombra o peito da rosa
Quando toda a tua floração já se foi há mui tempo.
Para amar na solidão e no mistério
Do que amar na solidão e no mistério;
Pra apreciar um só, nunca poderá ser meu;
Pra ver um abismo negro abrir-se com medo
Entre mim e a minha selecionada irmã,
E pródigo para uma - eu uma escrava –
Que colheita eu colho da semente que dei?
O amor responde com um gesto valioso e subtil;
Pois ele encarnar-se chega em tão doce guis e,
Isso, usando apenas a arma de um sorriso,
E olhando para mim com um olhar de amor, sim,
Não posso mais resistir à tua forte influência,
Mas à tua adoração dedico a minha alma.
Devo olvidar o olhar de amor dos teus olhos escuros
Devo olvidar olhar d´amor dos teus olhos escuros,
A tua voz, que me encheu está emoção,
Os teus votos, que me perderam neste "maze" selvagem,
Em cuja pressão comovente da tua mão gentil;
E, mais valioso ainda, aquela permuta de pensamentos,
que nos aproximou ainda mais um do outro,
Até que em dois corações uma só ideia se forjou,
E nem esperavam nem temiam senão pelo outro.
Devo então olvidar de me enfeitar com flores:
Não estão tão murchas as que vos dei?
Eu devo me olvidar de contar as horas do dia,
O sol já se pôs - tu não vens mais para mim!
Tenho de olvidar o teu amor! - Então deixa-me fechar
Os meus olhos lacrimosos no dia indesejável,
E que os meus pensamentos torturados cacem o repouso
Que os defuntos se acham sempre dentro do jazigo.
Oh! para o destino daquela que, decomposta em folhas,
já não pode chorar, nem gemer; fenecida nas flores,
Ou a rainha desamparada, que, arrepiada de frio,
O teu coração quente e palpitante acalma-se nestes
Oh! por um gole dessa onda de Lethean,
Tão mortal tanto para a alegria qual para o pesar! –
Pode não ser! Nem isso me salvaria!
Amor, esperança, e tu, nunca poderei olvidar!
Fama
"O que é que o louro bota, se a fronte palpitante
Ardeu com a agonia do pensamento desfeito?
Tudo o que esperavas - não, mais, está ganho; e hoje,
Diz, querido Edward! O que é que o ardor ganhou?
Que a tua face pálida, e as pálpebras sem franja
Que sobre os teus olhos desbotados se abatem tristes;
E ah! que o Poder Onipotente assim o ordena
Teus ombros se curvam em eterna prostração?
Pelham não era capaz de cometer esse erro;
Nem Falkland, Clifford, Aram, o Deserdado;
Ou qualquer outro que, quando a abril, espera eram fortes,
Revelou as tuas energias, enquanto a Inveja gemia.
Era, era o velho Monthly Magazine,
Pela Avó Colborn loucamente batizada de "New;
Isso atraiu o teu espírito para a cena da contenda.
E ensinou-te a dispor a bebida lamacenta das travessuras.
Por que, Edward querido! desafiar essa imprensa, cujo destino
Te favoreceu no teu tempo de provação?
Vedes que são demasiado fortes pra o casto Brougham,
E - Embora grande - não és tão grande como ele!
Então pousa suavemente a tua caneta e o teu papel
Ao lado do antigo limite castaliano;
Não enroleis mais coroas na vossa abundante coroa,
Mas escuta-me, e aprender a comer e a beber!"
MARY SHELLY - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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