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segunda-feira, setembro 18, 2023

A TRISTIA COM OITO SONETOS - ERIC PONTY

 A TRISTIA

Pequeno livrinho meu sigas
(E não te desprecio por ele),
Sem mim irás à cidade Urbana, 
Ai de mim!  Coitado de mim!

Onde ao teu dono não lhe está lícito abraçar. 
Sigas, porém sem adornos de douro, 
Qual convém há um desterrado: 
Percorreste, infeliz, o imaginando 
Certo está infeliz ocasião ouro.

Que não te envolvam adelfas com cor corada, 
Já que essa cor não se convém 
Muito bem em ocasiões de tristeza; 
Nem te escrevas teu título com mínio, 
Nem se embelezem tuas folhas de papiro 
Com o azeite de cedro!

Nem leves alvas chapas em uma tetra fronte. 
Fiquem esses adornos aos livrinhos felizes; 
Parte, não deves olvidar há triste casta. 

Que nem se quer espalmem cantos 
Com frágeis pedra polmes, 
Ao fim de que apareças arrogante, 
Com as madeixas desregradas
Não te envergonhes dos borrões: 
O que os veja pensará que hão sido 
Feitos com minhas próprias lamúrias.

Lembra, livrinho, e saúde com 
Minhas palavras todos lugares prezados: 
Os tocarei, ao menos, com o pé 
Com que este está admitido
Fazê-lo. Com Oito Sonetos
Trarão saudades aos netos. 

Se alguém, advém entre povo, 
Não se há olvidado ali de mim, 
Si tiver alguém que, por lanço, 
Ti perguntares como estou, lhe dirás 
Que estou vivo, porém não ardente bem, 
E há por isso, feito de viver, 
O devo ao favor dum Deus.
OITO SONETOS
I

Eu que nas rimas sumiram os ecos ouvidos
Suspiros tristes quais meu coração comia
Quando deste viço do meu abril conduziu,
Muito diferençar do eu agora apareço.

Palpitar meio espera inquieta e medo frenético,
Daqueles por quem meu estilo díspar é lido,
Espero que, seus cernes de amor sangrarem,
Não só o perdão, mas talvez seja duma fúcsia.

Mas agora vejo claro isso da humanidade
Mui tempo era conto: de onde anexim amargo
Autocensura rubores crebros são grandes;

Enquanto meu delírio, aperto o fruto que encontro,
E triste contrição, e a prova, de tão prezada,
Que a alegria do mundo é apenas um sonho.

II

Ô casa, entanto caseira - pensamentos de ti
Nunca pude deixar de aplaudir peito falta;
Quão vezes fero êxtase -ter-sido doído em mim,
Retornar atrás, dum fatigado e perigo;

Quão vezes eu parei ao ver a lareira 
Densas nuvens de fumo em lajes leve azuis,
E, já abaixo, flor amarela casa-alho-porro,
Enquanto se beira breve numa visão mais adjunta.

Estas, embora são ninharias, já deram prazer;
Nunca agora levam-me fundo desejado,
Pintar o grupo noturno antes à minha vista,

De amigos e iguais sentados entorno do fogo.
Ô Era! Quão fluxo veloz fazem teus tempos,
Mudanças cena alegria às cenas de aflição.

III

Certo meditar sobre pedra raspada,
Anseio saber quem pô fez com que calar,
Penso ansioso sobre o pode demostrar-se,
Data ilusória busca brotar ervas daninhas;

Alvo prova seco - Tanto ao tempo e o nome
Tinha pico a idades arriscados ao olvido.
Sol continua a ser ornamento esculpido
Deu-nos prova crível de laurel à fama:

Busca fiz a minha visão tanto de tormento,
Naquela época, questionava expor ideia;
Alvo cedo constata- "É o que é há ti.

Pó se acha cá? - Uma vez queres ser breve
Olvidou quão ele - Então Era deve te ordena ir
Puro êxtase céu, ou aí aflição do inferno ".

IV

Velho carvalho marrom lavrou o pau em paz,
Quão é doce à sua paz calmante soia ser;
Pode abençoar e ainda, quão faz pensar o humor,
Fim agora confusão se adapte o melhor de mim.

"É por amor," a brisa soprou-nos dizer,
"Ceder nossa floresta silenciosa aqui?
É por amor, se movimentar tão longe
De ainda sombreia correr onça tão caro? "

"Não, brisas, não!" - Respondo com um suspiro,
"O amor nunca pode muito chorar meu peito; 
Colina, meu amigo! - Ai de mim! Tão cedo a finar-se –

Essa é a queixa me pressiona ao sair:
Apesar ruído não curar, pode aroma alguns rogar;
Desígnio Silente irritar nas feridas de aflição ".

V

Acercar-se um dia Amor a tornar rende,
retrograda este ímpio do penhor,
que receia, e, que não querem, o prende,
desta alegria penar do par louvor.

Se atrair chama minha que se renda,
Fé, e o enorme e infindo se despe amor,
vossa certeza, vosso vício pendam,
compungir tarde donde alguém se prenda.

E eu estou lhe atraindo este alvedrio,
Do caso viver o lacre sevo pio,
é provisório brando à noiva idade.

E desejo pensar reto céu escolta,
vendo quiçá do anjo homem crueldade,
ter vosso meu ser vendeta revolta!

VI

São provisórios brando à noiva idade.
E desejo pensar reto céu escolta,
vendo quiçá do anjo homem crueldade,
ter vossa do meu ser vendeta volta!

Quisera eu meigo amada na foz rês,
olvidar-se de mim senhora três,
desejo plácido ave aflora à tez,
sutil advém voltar amores vez.

Exausto vida ponho máscara Alba,
floresta cinge flores pias de adoba,
sôfregos pedem vão perdão da alcova,
sonhá-la mais que fogo clama arriba.

Pássaros, credos, sós, sem voo saga,
extasiados seres dragam à vaga,
reunidos lajens funda efígie rara.

VII

Uma grei, alcunha pátria fez no drama,
fez-se de acenos treva fama estranha,
dum com louvor, intrínseco eco alma,
eram de párias serras Cáspia sanha.

Muitos para a terra esvaem-se sina,
que depois feitos dignos obram mina,
torcessem prêmio fez dos próprios lares,
que dimanava sorte terra aos pares.

Este, depois que contra breve agrave,
fez-se que mundo fim amor tão grave,
este com bela ufana areia que lave.

Já tinha visto carne de alva atada,
então que não profundo amor lavrada,
quando achegado foz jornada tenra.

VIII

Como —se espessa treva se respira,
Ou se em nosso hemisfério já anoitece—
Distante se vê um mulino então girava,

Ver distantes uma torre me parece;
O vento me encha atrás, e abrigo peço
Ao meu Senhor, porque outro não oferece.

Já estávamos — com medo canto e medo—
Onde surgem as sombras abnegadas
Qual canudo que no vidro se há metido.

Umas fazem e estão doutras paradas;
Possuem a testa o bem os pés adiante,
Os pés em os rostos, estão arqueados.

Quando tanto nós passamos adiante
Que meu mestre teve bem mostrar-me
Ao que teve uma vez belo semblante,

Se deteve ante mim, me fez parar-me,
E disse: «Olha e me Dite; é o momento,
De que tua alma tem de valor se arme».

Qual me fica de friagem sem alento,
Não perguntes, leitor, nem eu o escrevo
Nem o pode expressar nenhum acento.

No que me morria nem sequer vivia:
Ao pensar por ti, si é que é engenhoso,
Qual fui para ambas coisas negativo.

Ao Senhor do Império era doloroso
Deste médio corpo acima se mostrava;
E mais me comparava eu há colosso

Que um gigante braços comparavam:
Calcula como o todo ser deveria,
Que com tamanha parte concordava.

Se foi belo qual feio se observavam,
E contra seu fazedor alçou o seja,
Sem dúvida é o quem todo luto cria.

Ali minha mente ficou perplexa,
Se, pois, tinha três caras nesta testa.
Uma adiante, e esta era vermelha;

Aos outros dois unirem-se com esta
E por cima de uma e outra paleta,
E se juntavam-se na mesma cresta:

A destra era entre branca e amarela;
O sinistro, com tinta que declarou
O que do rio se tostou da orelha.

As Duas asas grandes abaixo caras,
Que ao pássaro tamanho convinham,
De tais velas jamais um barco içara—

Do morcego eram; e se careciam,
De plumas, que dá vez se ateavam
De modo que três ventos produziam

Que da água do Lenheiro congelavam;
De seis olhos suas lágrimas brotando,
Com sua sangrenta baba se mesclavam.

Com cada boca estava triturando
Há um pecador, como uma agrimavam,
Aos três de igual forma castigando.

Mas e para o de diante que nada era
O morder, com a espalda comparado,
Que estava desgarrada toda inteira.

A este a maior pena lhe há tocado:
Que da água do Lenheiro congelavam
Está na boca, de se panteia airado;

Haver abaixo estes dois que tem postos,
—Disse-lhe Senhor—; do rosto denegridor
É o Bruto, que dor não se manifesta;

Casio do terceiro é, alto e fornido,
Mas já à noite chega, e deste instante,
Ao marcharmos, que todo visto há sido.

Eu me abracei ao colo e, vigilante,
O momento escolheu que lhe convinha 
E, quando se abriu as asas ao bastante,

Ao flanco hirsuto se agarrou meu ardor:
De velho em velho descendendo fomos
Dentre das cerdas e da costa já fria.

Quando ao lado da coxa ao fim nos vimos,
Onde se inchava e forma da cadeira,
Cansados e angustiados nos sentimos:

Volveu a testa vazia da garra fera
Ao mestre, que lhe vendo se safava
Igual que se ao Inferno se volvera.

Agarre bem —me disse, e ladeava—;
Pela escala abandonar-me espero
Tanto mal», e cansado se mostrava.

Alcançou duma rocha com o aguaceiro
E com cuidado me sentou na ribeira;
Logo levou ao meu lado o pé ligeiro.

ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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