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quarta-feira, setembro 20, 2023

22 Sonetos e elegia aos crepúsculos das serras do Lenheiro - Eric Ponty

I

Chega de luzes vão fundir crepúsculo,
Se uma delas por tal traço ti a janelas,
Que a cor mudará envolta dos cabelos,
São o nó que lhes traço se soltará!

São colo e dos seus pés mancos rebeldes
dizer por cortesia, que gente é esta?
Esta que ela que ao mundo chama Amor,
Benções for seu qual O Nosso Senhor:

Era um traço torno do qual sol escondia-se,
pela piedade do Criador Paradiso,
Quando fui preso, e não me revelei!

Porém só traços e braços tendo em mais,
Matizes mil, que traço era despido;
Em luzes piedade sol era vertido!

 II
No tempo que restauram meus suspiros,
Por certo está à cata desta sua d’alma,
cuja arca arde ainda versos à memória,
Que fui há princípio aos seus longos martírios.

Vós escutais em rima esparsa soar,
em suspiros que eu me nutria em coro,
de que em meu primo juvenil do erro,
ficará em parte noutro aquele soar.

De vários estilos em que eu choro,
fazendo de vã esperança e vã dor,
por esta via por prova entenda amor,
confio trovar piedade, não perdoes.

Mas bem me vejo como o povo todo,
fábula foi grande tempo, onde espessa,
do meu modesto fato me envergonho:

VIII

Uma sombra enquanto meu outro malvado,
me vem encontra e chama pelo nome,
reconhece-me eu que te reconheça;
Ou que este por amar se consegue?

O encontro assim amargo certa forma,
transação que eu me porto, no ar opaco;
Dão para os olhos seus, mas vero amigo,
sou seu vero amigo, mas não inimigo.

No grande tempo é que eu me pensava,
verte-te entre nós que do primo ano
de tal presságio de sua vida dava,

fui bem ver, mas amoroso ofegar,
me espaventar se eu largar-me empresa;
porto ao peito o pano me esfarrapar.

XII

De que há pouco tempo ti julgará,
se um deles por tal traço ti não sai,
A cor mudará envolta dos cabelos,
que o nó que lhes falo se soltará!

São colo e dos seus pés mancos rebeldes
dizer por cortesia, que gente é esta?
Este que ele que ao mundo chama Amor,
Quando for seu qual O Nosso Senhor:

Era em torno do qual sol escondia-se,
pela piedade do Criador paraíso,
Quando fui preso, e não me guardei!

Porém só ombros e braços tendo em mais 
Matizes mil, que resto era despido;
Pela piedade sol era vertido!

XVI

Uma sombra enquanto meu outro malvado,
me vem encontra e chamar pelo nome,
reconhece-me eu que te reconheça?     
Que tal presságio de sua vida dava.

Ou que este por amar se consegue,
encontro assim amargor certa forma,
Montanha que eu me porto, no ar opaco;
Dão pra os olhos seus, mas vero amigo.

No grande tempo é que eu me pensava,
verte-te entre nós neste primo ano
de tal presságio de sua vida trouxe,

fui bem ver, mas amoroso ofegar,
mundo mudará envolta dos cabelos,
porto ao peito o pano me esfarrapar.

XVIII

SUAVE és bela quão se música alça,
Ágata, telas, trigo, transparentes,
Houveram erigir a fugaz estátua.
Havia a onda lhe dirige tua frescura.

O mar molha brunidos pés cingidos
Forma recém trabalhada na areia
És agora teu ardor mulheril rosa
Uma só borbulhar que sol e o mar.

Ai, que nada te toque senão o sal!
Que nem o amor destrua intacta forma,
Formosa, musa indefinível espuma,

Deixa que tua cintura imponha água
Uma medida nova dum cisne azul
Navegue estátua por Moema eternal.


XXII

No tempo que restauram meus suspiros,
Pela doce memória que está em entorno
Que fui há princípio aos seus longos martírios,
cuja arca arde ainda versos à memória:
Vós escutais em rima esparsa soar,
em suspiros que eu me nutria em coro,
de que em meu primo juvenil do erro,
ficará em parte noutro aquele soar.

Mas bem me vejo como o povo todo,
fábula foi grande tempo, onde espessa,
do meu modesto fato me envergonho:

Do meu divagar vergonha meu fruto,
me seduz a conhecer tão claramente
quando desejei o mundo breve drama.


Elegia aos crepúsculos das serras do Lenheiro
O dia de outono está a desvanecer-se,
Os campos estão húmidos e sombrios;
O rude aguaceiro leva as flores de buganvília,
E a Natureza parece cansada;
A perdiz se reúne, fugindo do fadário,
Se ocultam no restolho branqueador,
E muitas aves, sem o seu par,
Nos espinheiros brilharem o carmesim,
A ti sigo, e ponho os meus pés
Nas suas próprias pegadas. Não porque queira caber
Contigo, mas por amor, porque desejo seguir
E imitar-te. Por fim, porque é que uma andorinha
Lutar com os cisnes? Como é que um pequeno com pernas 
que vacilam pode alcançar o galope de um cavalo? – 
A corrida não seria igual.
Como as abelhas provam todas as flores dos prados floridos,
Esta manhã, quando acordei,
uma nuvem negra pairava sempre no Sul;
"Penso que agora vamos pô-la de molho.
Adivinhei com razão.
"Fé! Fiquei feliz por ver o sinal,
Eu queria descansar.
E, um dia de acúleo foi aquele;
Mas a prudência é certa com o que vi,
E, não me faltasse nada, fiquei em casa;
Conheceis o meu credo:
Trabalho inútil, nunca me interessei por ele.
Mas vamos continuar.
Escrevo apenas para não fazer maldades,
Pobres como sois!
Com coração e alma honestos, sinceramente,
São todos para mim.
Este rabisco, marca o pedido,
embora não mereça a vossa atenção,
significa um humilde convite
Para um dia qualquer:
Tu és o amigo montanha do Lenheiro,
Há muito que me agrava o choque,
ao ver os nossos gentis-homens tão arrogantes:
Mas a tristeza é muitas vezes apanhada pela zombaria,
Pois como foi.
O orgulho, o poder não valem uma caminhada
Eu preferiria ser um rato de prisão com suas serras,
como eu seria o rei do nosso domínio,
Ou qualquer outro,
Um é tão bom como o outro.
Nem eu daria de mão beijada,
um único alfinete por tudo isso:
O rústico trabalhador ouve o seu inimigo inquieto,
E cansado, com as suas dores a queixar-se,
Vai buscar os seus cavalos à charneca:
E o que é mais importante, é que o homem não se cansa
Que a noite se aglomerava à porta do Lenheiro,
As carroças sacodem com ruído;
E porcos agora se aglomeram na estrada poeirenta,
Grunhindo e tagarelando, em disputa, em torno
A quem não tem o que fazer.
Que traços impressos marcam o caminho do vagão;
Que poeirenta azáfama desperta o eco em redor;
Como os raios quentes do sol afastam a névoa;
E, afiando, jarros com som agudo e tilintante,
E, faixa por faixa, se alonga sobre o chão;
Enquanto que, sob algum monte amigo, aconchegado e protegido
De um sol que estraga, ocultar a delícia do coração;
E o que é mais do que isso, é o que é mais do que isso,
E o que é mais importante, o que é mais importante.
O que é mais que um simples e belo, 
sendo um grande louvor a quem o fez nascer Lenheiro,
Um grupo heterogéneo que o campo de clareira rodeia:
Filhos da humanidade, nunca negueis
O humilde respigador a entrada nos vossos terrenos;
O frio triste do inverno e a pobreza estão próximos.
Não vos raleis da Providência a escassa provisão:
Nunca vos faltará em vosso amplo estoque.
Quem nega, cão de caça endurecido e faminto
Nunca as bênçãos lhe baterão à odiada porta!
Mas nunca faltará a quem dá aos pobres.
Ah, belo Lenheiro! misturado com o resto,
"As tuas belezas florescendo na vida baixa e invisível,
A compaixão suspira, sente e chora,
Retratando cada dor
O homem desumano, em vingança, amontoa
Em todo o Lenheiro inferior.
Ah, Piedade! Muitas vezes teu coração sangrou,
Como agora sangra de dor;
E lamúrias ternas seus olhos derramaram
Para ver atos cruéis.
A chicotada que feriu a pele de um pobre,
Para se gabar quando está no poder,
Já que, sujeitos a mil malefícios,
perecem como uma flor.
Ai de nós! Não temos nada de que nos vangloriarmos aqui,
e menos ainda para nos orgulharmos;
O sol mais brilhante só nasce claro
Para se pôr atrás de uma nuvem.
O mais belo sol, que se ergue e se põe atrás de uma nuvem,
devem renunciar a todos os seus poderes;
Não posso evitar a vontade do destino,
Nem posso evitar que ele te ame.
Ainda assim devo amar-te, doce encanto!
Ainda assim a minha alma deve aquecer-se em êxtase;
Ainda assim a minha rudeza deve arrancar a flor,
Embora a ignorância o carregue de abusos,
E os tolos desprezem a bênção enviada,
e zombem da boa intenção do Lenheiro. -
Ó Deus, deixa-me fazer o que é bom,
Que eu faça aos outros o mesmo Lenheiro,
Como eu quero que os outros me façam a mim,
E aprender pelo menos a humanidade.
O céu está cada vez mais escuro;
O sono fecha os olhos do trabalhador:
Vizinhos onde os vizinhos se deparam
A colheita para louvar, e o trabalho na mão,
E batalhas contadas em terras estrangeiras.
Enquanto o seu cachimbo está a soprar,
(..........................................)
Eric Ponty
Eric Ponty-Poeta-Mestre-Tradutor-Libretista

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