Excepcionalmente, depois de muitos obstáculos, só ontem, pude ler os textos propostos: Não tenho qualquer objeção a que sejam impressos nesta forma. No máximo isto: perturba um pouco o meu ouvido para a linguagem ao sentir uma passagem de um e-mail, que é por natureza de uma densidade diferente, junta como um como complemento direto do ensaio mais antigo.
Interessou-me muito, e estou contente com a segurança que nele exprimiste. Sempre pensei que um poema, pela própria extrema da sua natureza, poderia de repente estender-se muito francamente ao domínio do instrumento de precisão, instalando-se fora do seu espaço, como o orvalho puro, na superfície de um problema.
Não posso dizer se, fora do tipo de enquadramento em que o meu bloque me permite as várias categorias do exato se entendam entre si, eu seria capaz de entre si, de me exprimir intencionalmente sobre o tema que propões. Talvez, afinal de contas, me falte a familiaridade com o celular, uma vez que a vida, como me diz, em breve exigirá de si mudanças de todos os tipos: que sejam - resta-me desejar - tais que vos ponham nas mãos que te deem algo de já tangível, uma ocupação no sentido mais concreto. Com o risco de não poder, durante algum tempo, experimentar-se em poemas. Mas se, mesmo assim, tiveres uma caneta na mão, proíbe- de escrever "emocionalismos", obriga-o a anotar fatos da tua vida e, de preferência, da vida mais remota, e, em todo o caso, providencie para si, para além da caneta destinada a transmitir aos amigos um sinal do seu bem-estar e atividade, uma segunda caneta que manuseies como uma ferramenta: e não te deixes levar pelo que sai desta segunda caneta, sê duro com para com a menor das tuas produções. O que tu produziste como artesão, ao qual a que essa outra caneta dá contorno, não deve reagir mais na tua própria vida, devendo ser uma moldagem, uma transposição, uma transformação, para a qual o vosso "ego" foi apenas o primeiro e último impulso, mas que a partir daí permanece a partir daí, permanece em frente de si, proveniente do seu impulso, mas de uma solidão semelhante a uma coisa, que sentimos que a nossa parte na realização desta coisa misteriosa objetiva como sendo apenas a de uma pessoa que cumpre calmamente uma ordem.
Em todo o caso, isto é importante para si: que se afaste para além desta dos seus poemas líricos, que não se ocupa das letras como se ocupa dos poemas como se fossem poemas, e que não tomas a vida apenas como uma ocasião para sentimentos pouco fiáveis. É muito mais do que isso. E seria muito mau se, que, no fim de contas, só tivesses de suportar as perplexidades da juventude sem saber o que é ser dominado por o ser-jovem, que é pura existência como podemos nestas traduções da abertura de um poema longo de Friedrich Hölderlin e um Hafiz do qual não achei o nome do Poeta.
No portão da floresta sentei-me entre
A hera escura enquanto o meio-dia dourado
Desceu visitando o riacho, de longe
Os Alpes, a sua escada de montanha, construída
Por poderes divinos, o Castelo de Deus como
Eu chamo-lhe, de acordo
De acordo com a velha opinião, onde se devolve
Ao homem ainda muitas coisas
Decidido em segredo; daí
A minha mente, contra a expetativa, veio,
Um destino, para a minha alma
Dizendo a si mesma isto e aquilo na sombra quente
Agora ia à deriva para Itália
E mais além, para morrer nas costas longínquas de Moreia.
Mas agora, no meio das montanhas, bem fundo
Abaixo dos picos prateados, e entre
O verde delicioso, onde as florestas,
Tremulantes, e cabeças de penhascos empilhados olham
Todo o dia a olhar para ele, ali
No abismo mais frio ouvi
O jovem gemido de libertação,
Em fúria de tropeço acusar a terra,
A sua mãe, e o trovão que o gerou
Que o gerou, e eles também o ouviram,
Os pais, compadecidos.
Os mortais fugiram do lugar, porque era terrível,
Com ele acorrentado nas suas torções escuras,
O frenesi do semideus!

(Ele fala das dificuldades do caminho do amor. O guia experiente sabe que é preciso abandonar a razão para percorrer as suas etapas. O amor começa com o desejo de autogratificação, e leva à ignomínia. Mas pela perseverança contínua pode ser alcançado aquilo que o mundo está bem perdido).
Rapaz, traz o copo, e faz circular o vinho: Como o amor à primeira vista parecia fácil, mas agora começam as dificuldades.
Quantos corações sangram, esperando o almíscar solto pelo vento daquelas tranças - a brilhante torção de cachos negros?
Pois que segurança nos temos aqui neste lugar de paragem, onde a cada momento o sino toca: "Amarrem os vossos bornais”
Mancha o teu tapete de oração com vinho se o Mestre te disser: Esse viajante experiente conheceu as passagens da estrada.
Mas, viajando com pouca bagagem, o que é que estes terráqueos podem saber da noite negra, o nosso medo das ondas, e o horrível remoinho.
O meu amor obstinado vai afundar a minha reputação: A verdade escapa-se; fazem dela uma balada nas suas reuniões.
Se procuras a sua presença, Hafiz, não o deixes sozinho: E quando encontrares o seu rosto, podes mandar o mundo embora pendurar-se.
TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA
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