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quinta-feira, agosto 31, 2023

OS AMANTES SEM CONSETIMENTOS - ERIC PONTY

I

Se a minha lida ao áspero instante,
Poupada pode ler, e afãs humanos
Que eu esteja por razão de último anos,
Em vosso corpo olhar lume já lento.

E trilhos de prata fino já argento
Que abandonaste grinalda ao verde anos,
E a face pender cor, o que em meus planos,
Me faz andar do medo no lamento.

Audácia a fúcsia há- de olhar amor,
Que vós se demostrais de meu penar,
Por enquanto anos, dia desta hora por.

E se é contrário sua fronte desejar,
Meu tempo ao menos junte ao teu pesar,
Pode então socorro em largo suspirar.

II

Vou-me retornar atrás a cada passo,
No olhar exausto que a lançar transposto,
E então do vosso par ganho conforto
Ergue-me mui além dizendo desgraço.

Ficar doçura bem que deixo ao espaço,
Da longa vigília e curta lida absorto,
Ao parar em desalento qual morto,
E se olhares me ponho à terra baço.

Se há dúvida me assalta por momentos,
Em riste pranto longe com um membro
Do espírito seu pois morrer há-de?

Não responde em louvor: - Não te relembro
Que esse é o privilégio de tuas dores,
Entregues toda humana qualidades.

III

Os nossos amantes correspondiam-se entre si e viam-se diariamente a sós no pequeno pinhal ou perto da velha capela. Aí trocavam juras de amor eterno, lamentavam o seu destino cruel e faziam vários planos.
Correspondendo-se e conversando desta maneira, chegaram naturalmente à seguinte conclusão:
Se não podemos existir um sem o outro, e se a vontade de pais de coração duro, porque é que não podemos passar sem o seu consentimento.
ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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