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quarta-feira, agosto 23, 2023

EXPLICAÇÃO NECESSARIA - ERIC PONTY

Caro Leitor 57265
Há muitas décadas os poetas e tradutores Ivo Barroso e o imortal Ivan Junqueira disseram que eu não ia achar poético a tradução de Hölderlin portuguesa, e iria ficar desapontado com a mesma, coisa que ocorreu. Fiz a tradução de Pão e Vinho de Hölderlin para mim, jamais pensando em por a público, mas lembrei-me que o imortal Ivan Junqueira me disse que eu sendo poeta, mesmo que a mesma seria poesia, e já estaríamos no lucro.

Este lucro da a tradução da Ode de Pão e Vinho de Hölderlin é o que está no bloque, e começou a ressoar como um lirismo órfico em mim, fiz algumas correções e postei pensando nos alunos, e professores de filosofia daqui, mas és que vem Heidegger em mim mostrando a realidade, que tomo a liberdade de citá-lo aqui:

Falar do poema significaria considerar de cima, e, portanto, de fora, o que é verdadeiramente o poema.
Com que autoridade, com que tipo de conhecimento, isso poderia acontecer?
Ambos são inexistentes. É por isso que seria presunçoso querer falar sobre o poema. Mas como é que o poderíamos fazer de outra forma?
Seria melhor se deixássemos o poema falar-nos do seu próprio carácter, em que consiste, em que se baseia.
Para o percebermos suficientemente, temos de estar familiarizados com o poema. No entanto, só o poeta está verdadeiramente familiarizado com o poema e a arte de fazer poesia. Só o dizer poético pode falar do poema de forma adequada.
O poeta não fala sobre o poema, nem trata do poema. Ele transforma o carácter único do poema num poema. E isso só pode ocorrer quando ele é guiado na sua composição pelas determinações especiais da sua própria poesia.
Há um desses poetas peculiares, talvez até misteriosos. O seu nome é Hölderlin.
Mas ele ainda não está - ao que parece - tão perto de nós que a sua palavra tenha nos atingiu, nos tocou, de modo que somos - e continuamos sendo - aqueles que são atingidos por ele.
Na poesia de Hölderlin, vivemos o poema poeticamente. "O poema" - esta palavra revela agora a sua ambiguidade. "O poema" pode significar poemas em geral, o conceito de poema que se aplica a todos os poemas da literatura mundial. Mas "o poema" também pode significar aquele poema excecional, aquele poema que está marcado para nos dizer respeito de forma única e que é a poesis do destino em que nos encontramos, quer o saibamos ou não, quer estejamos prontos para nos submetermos a ele ou não.
ERIC PONTY

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