Pesquisar este blog

sábado, agosto 26, 2023

DOIS SONETOS DE CHARLES BAUDELAIRE - TRAD. ERIC PONTY

Albatroz – Charles Baudelaire

Mui vezes, porque estão amolados, marujos da equipagem
Apanham albatrozes, essas grandes aves dos mares,
Que os viajantes suaves que acompanham no azul,
Que Navios a deslizarem nos mistérios do oceano.

E quando os marujos os apanham nas pranchas,
Magoados e perplexos, estes reis de todos os ares,
Deixam, com pesar, o teu rasto ao longo dos flancos
Grandes asas alvas, arrastando-se tal remos vãs.

Este viajante, como é cómico e fraco!
Outrora belo, qual é indecoroso e inepto!
Um marinheiro enfia-lhe um cachimbo no bico.
Outro zombar dos passos manco do aviador.

O poeta é como o príncipe das nuvens
Que assombrar a tempestade e ri do arqueiro,
Está exilado no chão por entre as vaias,
Cuja asas gigantes impedem-no de andar.

CORRESPONDENCIA -  Charles Baudelaire

A natureza é um templo, onde os vivos pilhares,
Colunas vivas respiram, por vezes, falas confusas;
Homem marcha por entre esses bosques de símbolos,
Cada um que o considera tal uma coisa semelhante.
Como os longos ecos, de sombrios, profundos.

Ouvidos de longe, misturam-se numa unidade,
Vasta como a noite, como a claridade do sol,
Para perfumes, cores, sons se correspondam,
Aos odores frescos tais como pele de um bebé.

Suaves tais os oboés, verde como a erva dos prados,
-Outros corrompidos, ricos, triunfantes, plenos,
Com dimensões infinitamente vastas,
Incenso, almíscar, âmbar gris, benjamim,
Cantando o entusiasmo dos sentidos da alma.
 CHARLES BAUDELAIRE - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

Nenhum comentário: