Eu sou adorável, ó mortais, um sonho de pedra,
E o meu peito, onde vos magoais todos por vossa vez,
É feito para que o amor nasça no poeta-
Eterno, e silencioso tal é matéria é intemporal.
Eu reino no ar como uma esfinge intrigante;
O meu coração é de neve é puro como os cisnes.
Odeio apenas o impulso, da quebra da ala,
Nunca chorarei, nem nunca mostrarei um sorriso.
Os poetas, em vista do meu elevado desígnio
De estilo, ao que parece, dá mais fina das estátuas,
Passarão todos dias nos seus estudos esmiuçadores.
Já que eu tenho um encanto pra estes aspirantes suplicantes:
Espelhos puros, que transformam em beleza todas as coisas.
Os meus olhos grandes, claros tal ar, claros do tempo.
Lamentos de Icaro
Homens que acariciam as putas por amor
Ficam saciados em encantos das suas prezadas,
Mas eu só tenho braços cansados
De ter abraçado as nuvens lá em cima.
Graças às estrelas, estas inigualáveis
Que ardem nas profundezas dos céus,
Tudo o que posso ver com os olhos torrados
São destas lembranças tão escuras de sóis.
Em vão tentei encontrar o coração
Do espaço, pra me afoitar mais fundo, mais alto;
Sob quem sabe que olhos de ardor
As minhas asas cansadas desfazem-se;
E queimado pelo amor à beleza em mim,
Não alcançarei o meu pungente desejo,
Lhes darei o meu nome ao abismo,
A campa abaixo, para o qual eu voo.
Charles Baudelaire - TRAD. Eric Ponty
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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