Para morte
I
Pode a morte ser o sono, quando a vida é apenas um sonho,E cenas de felicidade passam como um fantasma?
Os prazeres efémeros como uma visão parecem,
E, no entanto, pensamos que a maior dor é a de morrer.
II
Como é estranho que o homem na terra vagueie,
E levar uma vida de infortúnio, mas não ceder
O seu caminho acidentado; nem se atreve a ver só
O seu futuro destino que está apenas a despertar.
Soneto para Byron
Byron! Que doce e triste melodia!
Sintonizando ainda a alma com a ternura,
Como se fosse uma pena suave, numa tensão invulgar,
Tinha tocado o teu alaúde, e tu, estando por perto,
Se tivesse apanhado os tons, nem os tivesse deixado morrer.
A tristeza não te diminui diante tua melodia
Delicioso: tu vestes as tuas mágoas,
Com uma auréola brilhante, a brilhar em família,
Como quando uma nuvem cobre a lua de ouro,
Os teus lados tingem-se de um brilho cintilante
Através do manto escuro, prevalecem os raios âmbar,
E como belos veios em mármore de zibelina;
Ainda balbuciar, cisne moribundo! a contar a história,
O conto de encantar, o conto de agradar.
Soneto para Chatterton
Ó Chatterton! Como é triste o teu destino!
Querido filho da tristeza - filho da miséria!
Quão depressa invólucro da morte ofuscar-se aquele olho,
De onde o Génio se acende, e o debate é alto.
Quão cedo aquela voz, majestosa e exultante,
Derretido em números moribundos! Oh! quão perto
Era noite para a tua bela manhã. Tu morreste
Um fluxo meio soprado que o frio amata.
Mas isso é passado: estás entre as estrelas,
Do mais alto Céu: às esferas rolantes,
Canta com doçura: nada atrapalha o teu canto,
Acima do mundo ingrato e dos medos humanos.
Na terra o homem bom baseia barras de detração,
Do teu belo nome, e rega-o com lágrimas.
JOHN KEATS - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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