Tomai o meu braço, bela dama. Deixai-me ousar,
Dar-vos uma escolta para casa, se eu puder.
Não sou senhora, nem sou bela, sou Isabela,
Não preciso de escolta, Senhor, para me orientar,
Poupe-me, Professor Plausível, o vosso discurso
Serôdio e pestífero sobre as leis morais do mundo.
Para encurtar a história, digo-vos sem rodeios,
Não ser que a sua jovem e doce encanto se tenha aleitado
Nos meus braços esta noite, nem sou belo, tu Isabela,
Que badalada do meio-dia porá fim ao nosso pacto.
II
Pelos céus, lá vai uma donzela da mais bela beleza:
Nunca vi uma moça mais requintada, do que ela,
Com tal ar de bondade e de dever, para me orientar.
E, no entanto, a coragem de uma inteligência viva.
A luz suave da sua face, o carmesim dos seus lábios,
Brilhará para mim, ultrapassando o eclipse do tempo:
Pois na minha alma ela imprimiu, enquanto passava,
O seu olhar tão terno e tão abatido; donzela,
E na sua brevidade, quando respondia aquela.
Pintava uma encantadora jovem personificada.
III
Ela acaba de ir ao padre, em penitência
Confessando pecados; e ele absolveu-a,
Eu ouvi-a, à espreita no local, para rezar,
E conheço-a como uma coisa inocente:
Sem pecado, a moça frequenta a hora da confissão,
E sobre ela o demónio não tem poder.
Ali fala o rapaz que faz de libertino,
E acha que tem direito a todas as flores,
Não conhecendo graça ou nome honroso
Para além do seu alcance, ao arrancar e devorar;
Muitas vezes não pode ser feito, Senhor, mesmo assim.
ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA
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