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quarta-feira, julho 12, 2023

ELIZABETH BATHORY: O MAL DA BELEZA - Amber Holbrook - Ebook - TRAD. ERIC PONTY

 P/ Dr. Guilherme Jorge de Resende e Claúdio Leitão

O MAL DA BELEZA

ELIZABETH BATHORY (1560-1613), conhecida como a Condessa de Sangue, era real. Viveu a maior parte da sua vida na segunda metade do século XVI. Diz-se que torturou e assassinou 650 moças virgens para se banhar no seu sangue. Investigada pelos seus alegados crimes no início do século XVII, nunca foi condenada. No entanto, foi condenada a viver a sua vida unida num quarto do seu castelo em Cahtice (atualmente na Eslováquia).

Viveu cinco anos dentro dessa câmara murada, refutando as acusações de padres e pregadores do outro lado da sua porta permanentemente barrada. Enquanto tentavam fazê-la confessar os seus crimes, ela argumentava contra o fracasso das suas fés. Nesta altura, a religião protestante de Martinho Lutero, coexistia de forma incómoda com a Igreja Católica. Cada alma era uma batalha. Isabel, que tinha sido criada por um monge católico e ensinada por professores protestantes, tinha uma alma sobretudo complexa e difícil, que merecia toda a atenção do clero.

Os pormenores da vida de Elizabeth Bathory, tal como aparecem neste livro, foram retirados de documentos históricos do Arquivo Estatal Húngaro. A personagem contemporânea Drake Bathory-Kereshtur é descendente da Condessa de Sangue. É um húngaro americano que regressou a Budapeste após o colapso do comunismo. Durante a sua estadia em Budapeste, escreveu artigos para um para um jornal e para buscar nos arquivos documentos pertinentes com a sua famosa antepassada, envolveu-se no assassínio de uma jovem moça. Conseguiu escapar com sucesso à ação judicial na Hungria, mas quando regressou aos Estados Unidos, entregou-se ao gabinete do procurador em Nova Iorque. 


Esta é a história da Condessa que se banhava no sangue de moças. Uma história autêntica, até agora não publicada na sua horrível totalidade em lado nenhum. Os documentos relativos a ela são extremamente difíceis de obter, pois tudo aconteceu há mais de três séculos e meio numa Hungria selvagem, que hoje se encontra atrás da Cortina de Ferro. Os documentos relevantes passaram de um arquivo para outro. Ninguém sabe o que aconteceu desde 1956 aos arquivos húngaros que estavam guardados no Castelo de Budapeste. Onde é que se vai onde é que se vai para ver o retrato sombrio com os olhos abatidos da belíssima Erzsébet Báthory? Há duzentos anos que o castelo de Csejthe está em ruínas no seu esporão rochoso dos Cárpatos Menores, na fronteira de Slovalda.

Mas o fantasma e os vampiros permanecem, assim como o pote de barro que continha o sangue que ia ser derramado sobre os ombros dá sobre os ombros da Condessa; ainda lá está, num canto das caves. A Besta de Csejthe, a Condessa sangrenta, ainda grita na noite, naquele mesmo quarto cuja porta e janelas estavam, e ainda estão, emparedadas.

Há todos os indícios de que ela era uma Gilles de Rais feminidade; mesmo o que, por respeito a um nome ilustre desde o nascimento da Hungria, e por causa dos serviços prestados pela sua família aos Habsburgos, tantos fatos muitos fatos foram suprimidos. Foi mesmo considerado imprudente interrogá-la pessoalmente.

As atas do julgamento foram descobertas em 1729 por um padre jesuíta, Laszló Turáczi, que escreveu uma monografia sobre Erzsébet Báthory, a ser publicada em 1744. Ele reuniu uma história que ninguém na região de Csejthe nunca esqueceu.

Além disso, Turáczi teve acesso a documentos conservados primeiro nos arquivos do Tribunal de Viena e depois enviados para Budapeste, os relativos ao interrogatório efetuado pelo palatino Thurzó em Bicse (depois Bittsere), no início de janeiro de 1611, e pôde assim ter em conta as razões apresentadas, bem como a ordem de execução dos cúmplices da Condessa, datada de cúmplices da Condessa, datada de 7 de janeiro.

Até ao início do século XX, esta obra em latim era a nossa única referência. Depois, em 1908, um escritor, ele próprio nascido em Csejthe (atualmente Csachtitz, seis quilómetros a sudoeste de Vág-Ujhely. Neustadt), Dezsó Rexa, que tinha sido aluno da escola local e que, em criança, tinha brincado nas ruínas assombradas, retomou a história de Erzsébet Báthory; foi publicada em húngaro, em Budapeste, com o título Báthory Erzsébet Nádasdy Ferencné ("Erzsébet Báthory, mulher de Ferencz Nádasdy"). Referiu-se à obra do Padre Jesuíta.

No final do livro, Dezsó Rexa incluiu uma coleção de cartas: de Erzsébet para o marido; do Palatino Thurzó para a mulher, sobre a prisão da Condessa; do pastor de Csejthe, Ponikenus János, a um dos seus um dos seus colegas; do genro de Erzsébet, Miklós Zrinyi, para Thurzó, pedindo clemência para a sua sogra; do filho de Erzsébet, Pál Nádasdy, solicitando clemência para a sua mãe. A carta de Thurzó ao rei Mathias II também se encontra e a resposta do Rei, bem como o endereço da Câmara Real Magiar ao Rei Mathias II.

Seguem-se os testamentos: o de 3 de setembro de 1610, que a Condessa escreveu antes de ser condenada, e o seu último testamento, feito depois de ter sido emparedada, uma carta datada de 31 de julho de 1614, menos de um mês antes da sua morte. E enfim a invocação mágica na língua direta que lhe era tão cara.

Os manuscritos relativos a Ferencz Nádasdy, seu marido, foram reunidos pelo Pastor de Csejthe. Os relativos a Erzsébet passaram a fazer parte da coleção de Bertalan von Revieczky. As atas do julgamento, conservadas originalmente nos arquivos do Capítulo de da cidade de Gran, foram transferidos para os Arquivos Nacionais em Budapeste.

Em 1894, antes da obra de Dezsó Rexa, um alemão, R. A. von Elsberg, publicou em Breslau uma biografia muito curta mas mais elaborada, Die Blutgräfin, Elizabeth Bathory ("A Condessa de Sangue, Elizabeth Bathory") que, do ponto de vista psiquiátrico, dá especial ênfase à hereditariedade da antiga linhagem dos Báthorys. No final deste livro encontram-se no final deste livro, encontra-se o interrogatório e a fundamentação do veredito.

William Seabrook, no seu livro Witchcraft, dedicou um capítulo à Condessa Sangrenta. Além disso, utilizou os documentos de Dezsó Rexa e R. A. vonElsberg. Em meados do século XIX, em Inglaterra, Sabine Baring-Gould, no seu curioso livro, The Book Of Werewolves, faz um breve relato dos feitos da Condessa Sangrenta, e descreve como lhe surgiu a ideia de tomar banhos de sangue. Este escritor encontrou o seu material numa obra alemã do século XVIII de antropologia filosófica, de Michael Wagener: Beiträge ZurPhilosophischen Antropologie (Viena, 1796). E, sem dúvida, na própria Hungria; pois, nessa altura, por volta de 1843, com exceção de alguns artigos de carácter mais ou menos fantástico em enciclopédias populares, como os da Biographie Universelle (Michaud, Paris, 1848) e o do Dictionnaire Des Femmes Illustres, nada tinham sido publicados sobre o tema de Erzsébet Báthory.

Os livros de Dezsó Rexa e von Elsberg não se encontram nas bibliotecas de França e, hoje, não podem ser obtidos na Hungria. No seu artigo sobre Erzsébet Báthory, Seabrook declarou tê-los descoberto na biblioteca de uma grande cidade dos Estados Unidos. Por último, existe uma história muito romantizada da família Báthory, escrito por Makkai Sandor, A Carruagem do Diabo (Ordog Zeker).

Parte da documentação utilizada no presente trabalho foi gentilmente cedida pelas seguintes bibliotecas, a cujos responsáveis e funcionários deseja expressar os seus sinceros agradecimentos Bibliothèque de l'Institut Hongrois de Paris, Biblioteca do Museu Britânico, Österreichische Nationalbibliothek (Karten,Handschriften, Porträt und Bildarchiv Slg.), Österreichisches Hof und Staatsarchiv e Universitätsbibliothek de Viena.

Um contista, Amber, escreveu um conto moderno baseada em Erzsébet Báthory, da qual nós traduzimos.

NB: Na versão inglesa traduzida do francês, a grafia húngara correta dos nomes de pessoas e lugares foi substituída pelas grafias francesas que aparecem no original.



A CONDEZA SANGRENTA - Amber Holbrook  

Drácula é um nome comum no mundo moderno. Pergunte a qualquer pessoa e dir-lhe-ão que é um vampiro com presas, sugador de sangue. E qualquer pessoa a quem há qualquer pessoa a quem perguntes dir-te-á que se trata de pura ficção. Mas será que existe alguma verdade por detrás da história? E se uma pessoa real inspirou as obras de Drácula? A Condessa Sangrenta, Elizabeth Bathory, foi de fato considerada uma inspiração.

Elizabeth nasceu a 7 de agosto de agosto 1560, no país da Hungria. Nascida no seio da realeza, era comum que as jovens se casassem em tenra idade. Ela ficou noiva aos onze anos e casou-se aos quinze com o Conde Ferenc. Ele era um homem rico, quatro anos mais velho que Isabel. Como prenda de casamento, Ferenc comprou-lhe o Castelo de Čachtice. Os dois viveram no castelo até à sua morte.

Ferenc era um guerreiro, por isso não estava por perto muitas vezes. Isso deixaria a Isabel em casa sozinha. Só deu à luz o seu primeiro filho aos vinte e cinco anos. A primogénita era uma jovem, Anna Bathory. Depois dela, teve mais três filhos. Ursula, Katherina e o mais novo, Paul Bathory. Em muitos relatos, os parentes relatam que Elizabeth era uma mãe amorosa e carinhosa.

Elizabeth amava o seu marido, apesar de o ter traído uma vez, porque se sentia só. Aos cinquenta e um anos, o Conde Ferenc morreu de ferimentos de guerra. Isabel, com quarenta e seis anos, ficou viúva. Diz-se que, por esta altura, ela levou a sua sede de sangue até aos extremos. Ela tornou-se sem emoções, descuidada e dura.

O primeiro assassínio de Elizabeth foi o de uma das suas jovens criadas. Ela estava a escovar o cabelo de Elizabeth quando puxou um emaranhado, com força, por acidente. A condessa ficou furiosa e, sem querer ou conseguir controlar a sua raiva, bateu na moça com uma força pasmar. As suas unhas cortaram a pele da moça, deixando uma ferida aberta. O sangue da lesão escorreu para a pele de Isabel. Ela limpou o líquido vermelho-escuro, olhou para a palma da mão e refletiu por um momento. Ela achava que o sangue tinha dado à sua pele uma aparência "jovem". Ela desejava essa sensação há muito tempo, mas não sabia como alcançá-la.

Mandou o seu criado, Thorko, despir a moça, abri-la, e, sangue de uma vítima sem vida, para uma enorme tina onde Isabel se tinha Elizabeth se banhou e saiu, sentindo-se reanimada.

Elizabeth era incontrolavelmente cruel em todos os seus massacres. Ser pesado porrete de madeira era considerado um bom dia na mente de um cativo. Muitas vezes, ela fazia buracos na pele, enfiava agulhas sob as unhas dos dedos. Também esculpia a pele da vítima com um grande par de tesouras de jardinagem. E, por vezes, nos seus dias mais maliciosos, arrastava-os para fora e obrigava-os a ficar de pé na neve, despidos de toda a roupa.

Os seus servos deitavam então água gelada nos corpos torturados até eles até que, lenta e dorida, congelassem até à morte. Outros relatos incluem:

- Morder a carne do rosto, braços e outras partes do corpo;
- Abuso sexual
- Matar as vítimas à fome
- Cirurgia nas vítimas, muitas vezes fatal

Na Hungria, as suspeitas tinham sido levantadas quando uma jovem nobre desapareceu. Em 30 de dezembro de 1610, um homem chamado Thurzó foi ao castelo de Čachtice para prender Bathory, depois de se terem espalhado rumores sobre os seus assassínios. Os homens de Thurzó
descobriram uma jovem morta e outra a morrer. Uma outra mulher foi ferida, e, muitas outras foram presas.

Nos dias 7 e 11 de janeiro de 1611, realizou-se um julgamento em Bitsce, Hungria. (Elizabeth, ela própria, não compareceu a este julgamento) Elizabeth tinha quatro cúmplices nas suas transgressões, mas apenas três foram julgados. (O quarto e último cúmplice foi julgado e executado muito mais tarde. Ela não compareceu e não pôde ser encontrada para o primeiro julgamento) Um dos cúmplices testemunhou 37 assassinatos. Outro cerca de quarenta. Embora só tenha sido condenada por oitenta assassinatos, o seu diário guardava um segredo arrepiante. Na escrita de Sua Senhoria, ela registou seiscentos e doze (612) homicídios.

Duas mulheres cúmplices, que se diz terem sido as principais em tais assassínios, foram condenadas a ver os seus dedos, nos quais tinham torturavam com o sangue de jovens inocentes, arrancados pelo carrasco público com um par de tenazes em chamas. Depois disso, ambas foram queimadas vivas. Thorko, o último cúmplice, devido à sua juventude e boa reputação, foi apenas decapitado, e depois enviado para ser queimado com as outras duas.

Uma lei húngara proíbe que Báthory, sendo da nobreza, seja executado em tribunal de justiça. Por isso, foi assentada em prisão domiciliária. Confinada à sua câmara de tortura com todas as janelas e portas fechadas, deixou Elizabeth sem nada; Elizabeth não tinha mais nada na sua agenda a não ser envelhecer. Apesar dos seus esforços, ela não jazeria jovem.

Em 31 de julho st de 1614, Isabel ditou a sua última vontade e testamento. Ela desejava que todos os seus bens restantes fossem divididos entre os seus filhos, sendo filho, Paulo, o principal herdeiro. No final de agosto de 1614, um carcereiro curioso quis dar uma vista de olhos à Condessa. Ela ainda era a mulher mais famosa e bonita da Hungria, segundo os relatos. O que ele viu gelou-o até aos ossos. Deitada de bruços no chão, estava Isabel.

Em 16 de agosto de 1614, a senhora Elizabeth Bathory, com cinquenta e quatro anos, tinha dado o seu último suspiro nesta terra.

A intenção era que Elizabeth fosse enterrada na igreja local de Cachtice, Hungria, mas o país local não quisera ouvir tal coisa. Por isso, foi enterrada na cidade de Ecsed. Alguns dos seus pertences, incluindo o seu diário, estão presentemente em Budapeste. Elizabeth era uma mulher astuta e inteligente que torturou e matou durante muitos anos sem um único suspeito. Alguns investigadores dizem que ela tinha uma complicação de baixo teor de ferro, e estava simplesmente a tratar a doença da melhor maneira possível. Outros dizem que ela é apenas vingativa e sem coração. Quaisquer que tenham sido os seus motivos, ela continua a ser a mais notória e serial killer do mundo.

TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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