Falta-me tempo de perspectivar teus cabelos.
um por um devo olhar as filigranas e recitá-los:
Em cada fio há uma história narrada por amores,
e os amantes se calam tristes ante este silêncio.
O teu cabelo flui negro sobre a tarde entediada
eu peço ao tempo que ruja e que se vá até tua fronte
E compreenda a importância da posteridade, pois
minha razão perspectiva este rufar que os tange.
E quando diante do espelho solitária, adentrá-los,
não se esqueça que o mundo grita, e o pássaro sussurra,
e que a mansidão se faz ternamente em teus pelos.
E este tempo solitário por ruas e avenidas taciturnas
que os homens não se compreendem apenas gritam,
há a vertente conduz por entre às luzes dos cabelos.
II
Teu rosto túrgido aflorado no outono finito,
são como flores noturnas iluminadas pela lua
quando se esvai, por entre a fronteira da dor,
recitando este tempo presente, sem adjetivações.
Tua presença tateia a delicadeza do presente
adormecida se embruteceu pela dor noturna
é como um amanhecer prematuro das manhãs
que se silencia ante a visão de tua presença.
Teu rosto é a recordação deste espaço traça!!!
III
O sensual cabelo que delineias o teu branco corpo,
é uma infindável fonte nascente de branca estátua
onde jorra o sonho, e a perspectiva do existido
onde foi fundida a margem deste princípio
de claras águas densas que englobam a atmosfera
de tua mais completa representação cotidiana.
Não é de densa matéria este infinito espaço finito,
que margeia a superfície crisálida do teu lago,
refletido nos versos cotidianos sem o teu nome,
que lhe agita ainda tanto na presença e achado.
ERIC PONTY


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