Margarite Duras
I
Teus olhos são como chamas
têm duas estrelas fulgurantes:
Neles passam um arco
que dissecado pelo tanger
das sete cores da paisagem
principia o arco-íris e a noite
enciumada fere o crepúsculo
com a timidez do escuro.
Uma olha a dimensão dos dias
a outra olha o infinito...
Piscam as duas estrelas
incendiarias de teus olhos,
onde está tucanos e risos violeta,
(Dentro de tua consciência
um universo de probabilidade tangível)
Olhos com duas estrelas
que brincam de fitar o infinito.
(Por que ninguém percebe
este rumor latente e gemido?
Por que ninguém percebe
este luzir sobre o cotidiano?)
Teus olhos têm duas chamas
São fulgurantes de estrelas e olhos.
II
Sobre a solidão do cotidiano
percebo o seu mover contido
que se vai pela tarde azul
que exausta se esvai; e olha
perspectiva deste abismo
que se funde nos nossos dias.
Sobre a solidão do cotidiano
percebo o seu mover contido
por este céu de nuvens alvas
que brincam de te admirar
e fazem repentinamente água
só para coroá-la com um arco
na Íris das sete cores cálidas.
Sobre a solidão do cotidiano
percebo o seu mover contido
sobre você canta este lenheiro
e o tempo faz uma pausa
para que este não te atinja.
III
No silêncio quando me liga
(espaço preenchido pela voz)
há tantos enigmas ali
que tangem por este espaço
que descem e sobem no ido.
(Por que ninguém percebe
este rumor latente e gemido?
Por que ninguém percebe
este luzir sobre o cotidiano?)
No silêncio quando me liga
(espaço preenchido pela voz)
há um silêncio
há um cotidiano
há angustia profunda
que tange uma procura
na voz que indaga: Alô!!!
IV
Teu movimento
é circular como a lua
simples como o rio
efígie de um cisne
suplica que perpetra
por entre estas margens
nítidas do cotidiano.
Teu movimento
é uma teoria do acaso
do tanger da lua e do sol
pelos raios na face escura
da terra que sôfrega
adormece.
Teu movimento
tange a clareza
da lua
por entre as rosas
que se dissecam
nas varandas
deste rio.
V
Na solidão e no desespero
vivo a chama da morte
pois em vão admiro a paisagem
que se desfaz num quadro
mofino e amorfo.
Na ilusão é variada como a tarde
que delineia o perfil sobre o acaso
e penso, que as flores murcham
porque se esconde de mim nula.
Se na ilusão é imortal como Inês
mesmo morta sagrou-se rainha
os ponteiros se movem túrgidos
e estes fúnebres nem me conhecem
e não param ante minha passagem.
Na solidão e no desespero
vivo a chama da morte
que funda como a pedra parada
que desconhece a nuvem e nem
a ignora quando se esvai
por entre estes detalhes da tarde.
VI
Doce senhora de tez tímida
que não leu versos de Dante
ou não desceu a profundidade
da dor sobre o negro soturno.
Terá você ouvido falar talvez
De Gaspara Stampa ou de Paulo
E Francesca de Remini; seres
condenados ao subsolo do caos?
Doce senhora de tez tímida
cuja perplexidade se traduz
por não conhecer o meu eu
e eu muito menos o seu.
Doce senhora de tez tímida
que tem uma fala terrena
traduz-se nas rubras faces
de dissimular aquilo que voa.
VII
No jardim da praça há um verde
que encobre a paisagem da pedra
que pouco a pouco leva a natureza
por entre os subterfúgios da tarde.
Como uma estátua de mármore
nua por entre os olhares findos
sai de um cheiro que embriaga
o aroma que se vai cotidiano.
Mulher o teu torso é uma ágata
especiaria preciosa que se guarda
por entre as filigranas dos olhos.
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA


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