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segunda-feira, junho 12, 2023

O BUQUÊ DOS TEUS PÉS - (2000) - ERIC PONTY




I

Teu nome floresce como uma flor,
tão vermelha e de densas pétalas
cujo formato mexe com a cabeça,
Debaixo que se esconde na relva.

Tua língua floresce nos desejos,
brilhando nela os sucos da noite
dos beijos ardidos de língua, esta
serpente que me explora e devora.

Teus seios são dois mamilos alvos
dois campanários de uma igreja
onde rezamos rezas de outro tipo.

Tuas coxas torneadas, sempre ocultas,
continuidade de tuas ancas, onde tece
lascivos segredos entre os pentelhos.


II

Não se toque dentro da noite em gritos,
nestes sussurros vindos de tua relva
neste espetáculo de solidão e desvario
onde os olhos ausentes não pedem bis.

Não se faz exibição tão pungente e crua
entre as sombras ofegantes do abajur,
onde as imagens sobem e descem nuas
como ondas de um mar embravecido.

Não se toque dentro da noite em gritos,
neste pequeno órgão alongado, etéril,
este curto diabinho carnal e ondulado.

E sigo solitário pelas ruas apinhadas,
admirando outros corpos sensuais,
deveriam aprender a urrar com você.

III

- Senhora é verdade que dizem,
que teus gemidos fluem em ecos
quando esta tua branca mão
toca a campainha da casa?

Sim, a campainha, este sinal,
de que todas coisas serenas,
podem torna-se molhadas.

- Como ousas interrogar-me,
eu de olhos tão castanhos,
que se esconde os desejos,
cuja relva nem Eva terá tido.

- Senhora, pois é desdém,
se eu me toco é um sinal
de que ainda há ardor....

  IV

Esta branca carne dói
quando toca fundo a libido
despida, acorda até morto
da cabeceira mais crespa.

Esta branca carne de tetas
de rodelas rubras e bicos,
cuja maça fica sem gosto
devido há tantas virtudes.

Estas brancas nádegas
curvas como as dunas
onde as bundas volteiam.

Este branco dorso nu
que dá sentido a forma 
onde sucumbe o grito.
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

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