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quinta-feira, junho 15, 2023

Para o leitor - charles baudelaire -trad. eric ponty

A Loucura, do erro, pecado, a avareza

Ocupam nossas mentes e afligem nosso ser,

Nós devoramos nosso aprazível remorso

Quão mendigos se nutrem teu verme clareza.


Nossas culpas são aferradas, pesar é covarde;

Mandamos um alto preço às nossas confissões,

E regressamos alegres ao caminho do lodo,

Crer choros lavam todos nossos laivos arde.


Sobre a almofada do mal, Satã, trismegistro,

Incessante acalma nossas mentes seduzidas,

E o metal nobre nutre das nossas vontades 

É total vaporado por este sábio alquimista.


O Diabo segurando as cordas que nos movem!

Em coisas abjetas, desvendamos encantos;

Todos dias descemos um passo Inferno prantos,

Sem horror, através da depressão que fedem.


Quão rodo sem bronze com beijos e mordidas

Torturas ao peito de uma velha prostituta,

Nós roubamos quão calhamos prazer secreto

Apertamos muito dura quão laranja seca.


Junto, abundando, quão um milhão destas larvas,

Legião de Demos farrear nosso cérebro travas,

Quando respiramos, Morte, aquele rio invisível,

Desce nossos pulmões prantos envoltos crível.


Se estupro, o veneno, as adagas, do incêndio

Ainda não bordado cartuns amenos compêndio.

A tela banal de nossas vidas lamentáveis,

É porque almas não têm ousadia aceitáveis.


Mas entre os chacais, panteras, as cadelas,

Macacos, escorpiões, urubus, ofídios, delas

Gritos, uivam, rosnando, rastejam quais monstros,

Na bagunça imunda de nossos vícios adentro,


Há mais feio, mais perverso, que é mais sujo!

Ainda não faças bons gestos nem grão gritos,

Ele faria livre desta terra um caos cujo

Em um bocejo, engula ser do mundo ritos;


Ele é tédio! - Seu olho lacrimejar quais prantos,

Sonhar com andaimes fumar sua guita d’água.

Tu o conheces leitor, purgado monstro mantos.


- Leitor hipócrita, - meu comparte, - meu irmão!

Baudeire trad. eric ponty
ERIC PONTY-POETA_TRADUTOR_LIBRETISTA

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