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sábado, junho 17, 2023

A DOENÇA DA MORTE - MAGARITTE DURAS

 Em um hotel, em uma rua, em um trem, em um bar, em um livro, em um filme, em si mesmo, seu eu mais insosso, quando seu sexo ficou ereto à noite, procurando um lugar para se colocar, em algum lugar para derramar sua carga de lágrimas.

Pode tê-la pago.
Posso ter dito: Quero que venha aos entardeceres por alguns dias.
Ela a teria dado uma longa olhadela e dito que nesse evento seria oneroso.
E então ela diz: O que você anseia?

Diz que quer tentar, tentar saber, se acostumar com àquele corpo, àqueles bustos, esse odor. Ao encanto, à ousadia de ter filhos tácitos naquele corpo, naquele corpo sem penugens, aquela face, aquela cútis nua, a carteira entre essa cútis e a existência que domada.

Diz que quer tentar, por várias oportunidades, quem sabe.
Talvez por vários semanários.
Talvez até por toda sua existência.
Tentar o quê? Ela questão.
Amor, responde.
Pergunta: Sim, mas por quê?

MAGARITTE DURAS-TRAD ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

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