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sexta-feira, maio 05, 2023

TRÊS POEMAS DE ROBERT LOUIS STEVENSON – TRAD. ERIC PONTY

PRAYER
Pergunto coisas boas que detesto,
Com discursos justos;
Não atenteis, peço-Vos, Senhor, ao meu peito,
Mas ouvistes a minha oração.

Eu digo coisas más que não diria –
Coisas inconscientes:
Olhai pelo meu peito, Senhor, no Vosso dia,
E não a minha oração.

O meu coração é mau à Tua vista:
Os meus pensamentos bons fogem:
Ó Senhor, não consigo desejar bem –
Desejo-te para mim.

Dobrai a Vós as minhas palavras e atos,
No entanto, está doente,
Que eu, sejais o que for que diz ou seja,
Que ainda Te sirvam.

Que os meus pensamentos estejam em Ti,
Para que eu não caia:
Mostra-me a Ti mesmo em tudo o que vejo,
Tu, Senhor de todos.

Para Musas
Renuncia à rapsódia, ao sonho,
Aos homens de maior alcance;
Seja a nossa a busca dum tema simples,
Nesta piedade da palavra.

Tal qual escribas monges desde a manhã,
Trabalhou até ao fim do dia,
Nem pensou um dia supino longo para fazer
Ou numa linha ou letra brilhante:

Nós também com uma mente ardente,
O tempo, a riqueza e a fama olvidados,
A nossa glória na nossa paciência,
E na desnata, e desnata o pote:

Até ao fim, quando à volta da casa ouvimos,
Nesta música dos pássaros,
Aparece num canto do céu azul,
No nosso poço de palavras claras.

Deixa, deixa então, musa do meu coração!
Sem acabamento e sem moldura,
Deixar sem adornos artísticos inúteis,
Que nesta imagem tal como surgiu.

ESPOSA

Certo, sombrio, vivo, verdadeiro,
Com olhos de ouro e de orvalho,
De aço verdadeiro e lâmina reta,
O grande artesão
Fiz-me amigo.

Honra, cólera, valentia, fogo;
Num amor que a vida não se cansa,
Morte extinguir ou mal pulsar,
O mestre poderoso,
Deu-lhe.

Mestra, terna, confreira, esposa,
Um consorte de vida,
De coração inteiro e alma livre,
O pai augusto,
Deu-me!

 ROBERT LOUIS STEVENSON – TRAD. ERIC PONTY

ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

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