Composto em tetrâmetro troqueu, foi publicado pela primeira vez em 1601 como apêndice do poema alegórico de Robert Chester intitulado Love's Martyr, juntamente com outras variações sobre a ideia da fénix e da Tartaruga de John Marston, George Chapman e Ben Jonson. A contribuição de Shakespeare não foi aí intitulada e só começou a ser assim designada a partir de 1807.
Do que a ave que canta mais alto,
lá numa única árvore da Arábia
Tendo de clarim e grave arauto,
Ao som das quais castas dobram asas.
Mas tu, emissário estridente
Núncio perverso do maligno,
Dos mortos queimam, eu acho,
A está banda não se aproxima.
A partir desta sessão é interdito,
Todas as aves de asa tirânica
Exceto o rei emplumado, a águia,
Pois as exéquias são rigorosas,
Já o padre com a sua aurora,
Que a música mortuária pode,
Ser o cisne adivinho da morte,
Para que o réquiem correto ganhe.
E tu corvo de tripla idade
Que crias a tua prole em zibelina,
Com o sopro que entra e sai,
Lá com os enlutados ides.
Aqui começar esta antífona,
Amor com a seu afinco morreu,
a fénix e a rola ofuscar-se
Na chama mútua da terra.
Amavam-se como dois se amam,
Tendo uma só essência,
Tão distintos, sem divisão,
Figura enlevada morreu ali,
Almas distantes, mas unidas;
distância sem espaço que veriam
entre está rola e a sua rainha;
Noutros seria maravilhoso,
Tão forte era o brilho do amor
que o pombinho sentiu o direito,
no olhar ardente da fénix,
um era para o outro meu,
A predicado tremia assim,
A sua própria já não era a mesma,
Só natura com nomes díspares,
nem dois nem um foram chamados.
A razão em si mesma atordoava,
viu na divisão o mesmo tronco,
para eles nem uma coisa nem outra,
candura tão bem idealizada
Que ela gritava: "Que par tão puro
que concórdia há não que une,
Amor está certo, sem razão qualquer,
Se o que parte assim pode ficar".
Do qual ele fez este comboio,
Para a fénix e para a pomba,
costuremos e estrelas amorosas,
Como coro no seu trágico fato.
CORO
Beleza, verdade e raridade,
graça em pura simplicidade,
cá lindados, em cinzas dormem.
A morte é cá um ninho de fénix
E da pomba o peito amigo
Para a eternidade se foram,
Ficaram sem posteridade,
Mas não por causa duma doença,
Ela foi nubente em castidade.
É verdade que parece, mas não é,
Esta beleza parece, mas não é,
Sepultar a verdade e a beleza.
Para esta urna vêm aqueles
Que são puros ou belos,
Rezem por dois pássaros mortos.
William Shakespeare - TRAD. ERIC PONTY


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