A literatura é uma instituição paradoxal porque criar literatura é escrever de acordo com as fórmulas existentes - para produzir algo que pareça um soneto ou que segue as convenções do romance - mas é também para desrespeitar essas convenções, para ir além delas. A literatura é uma instituição que vive expondo e criticando os seus próprios limites, por meio de testes o que acontecerá se se escrever de forma diferente.
A Poética que defini como a tentativa de contabilizar os efeitos literários por descrever as convenções e as operações de leitura que as tornam possível. Está intimamente ligado à retórica, que desde os tempos clássicos tem foi o estudo dos recursos persuasivos e expressivos da língua: das técnicas da linguagem e do pensamento que podem ser utilizadas para construir discursos eficazes. Aristóteles separou a retórica da poética, tratando da retórica como a arte da persuasão e poética como a arte da imitação ou representação. Tradições medievais e renascentistas, no entanto, assimilou as duas: a retórica tornou-se a arte da eloquência, e a poesia (uma vez que procura ensinar, encantar e mover-se) era um superior exemplo desta arte.
A poesia está relacionada com a retórica: a poesia é uma linguagem que torna abundante na utilização de figuras de fala e linguagem que pretendem ser poderosas, e, persuasiva. E, desde que Platão excluiu os poetas da sua república ideal, quando a poesia tem sido atacada ou denegrida, tem sido tão enganosa ou retórica frívola que induz em erro os cidadãos e chama extravagante os desejos. Aristóteles afirmou o valor da poesia ao concentrar-se na imitação (mimesis) em vez de retórica. Argumentou que a poesia proporciona um seguro de saída para a libertação de emoções intensas. E alegou que modelos de poesia a valiosa experiência de passar da ignorância ao conhecimento. (Assim, no momento chave do 'reconhecimento' em trágico drama, o herói percebeu o seu erro e os espectadores percebem também.
A poética, como um relato dos recursos e estratégias da literatura, não é redutível a uma conta de figuras retóricas, mas a poética pode ser vista como parte de uma retórica alargada que estuda os recursos para os atos linguísticos de todos os tipos.
A Teoria literária que se concentra em debates de poesia, entre outras coisas dá importância relativa das diferentes formas de ver os poemas: um poema é tanto uma estrutura feita de palavras (um texto) como um acontecimento (um ato do poeta, uma experiência do leitor, um acontecimento da história literária). Para o poema concebido como construção verbal, uma questão importante é a relação entre o significado e as características não-semânticas da língua, tais como som e ritmo. Como fazer as características não-semânticas da linguagem trabalhar? Que efeitos, conscientes e inconscientes, têm eles? O que tipos de interação entre características semânticas e não-semânticas podem ser esperado?
Para o poema como ato, uma questão-chave tem sido a relação entre o ato do autor que escreve o poema e o do orador ou "voz que aí fala. Este é um assunto complicado. O autor não fala o poema; para o escrever, o autor imagina-se a ele próprio ou outra voz que o diga como por exemplo esse soneto de número I de Ludovico Ariosto:
Porque, Fortuna, o que o Amor me deu,Contender: marfim e ouro forneceram,
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