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domingo, novembro 06, 2022

CANÇÕES DA INOCÊNCIA E DA EXPERIÊNCIA - WILLIAN BLAKE - TRAD. ERIC PONTY

 AS CANÇÕES DA INOCÊNCIA

VISITANDO OS DOIS ESTADOS CONTRÁRIOS DA ALMA HUMANA

INTRODUÇÃO

A descida dos vales selvagens,
Canções das canções agradáveis,
Sobre uma nuvem vi uma criança,
E ele, sorrindo, logo dizendo-me:

" Cachimbo a canção sobre Cordeiro!"
 Por isso, lhe cantava com alegria.
" Pipeta, cante àquela canção outra vez".
 Por isso cantava: chorou ao ouvi-la.

"Larga teu cachimbo, teu cachimbo feliz";
 Cante-o teu cachimbo de alegria"!
Por isso, voltei a cantar está canção,
Enquanto chorava alegria ao ouvi-la.

" Pipeta, senta-te me escreve canção,
Num livro, que todos possam ouvi-la".
Por isso, ofuscar-se da minha vista;
E só me depenei duma palheta oca.

E até eu lhe fiz uma caneta rural,
E manchei a água de forma clara,
Escrevi às minhas canções felizes,
Cada criança possa alegrar ouvi-la.

PASTOR

Como é doce o lote do pastor!
Desde manhã até à noite, vagueia;
Deverá seguir as ovelhas todo dia,
E Tua língua será enchida louvores.

Pois ouve chamado casto dos cordeiros,
E ele ouviu da resposta da ovelha;
Está precavido enquanto estão em paz,
Pois sabe quando teu pastor está chegado.

NO VERDE ECO ANTE

O sol apareceu alva,
E fez mais feliz o céu;
Os sinos nos abordam,
Acolhendo a Primavera;
E Cotovia e os Tordos,
Das aves do matagal,
Cantam mais alto em redor,
Ao som alegre dos sinos;
Esportes são então vistos,
No verde eco ecoante.

Velho John, com alva barba,
Qual riso não importa,
Sentados debaixo do carvalho,
Entre a gente antiga,
Eles riem da nossa peça,
E logo todos dizem,
Tais foram as alegrias,
Quando nós, alunas e meninos...
No verde eco ecoante.

Até pequenos, cansados,
Já não podem ser felizes:
O Sol desceu de fato, no céu,
Nossos esportes têm um fim.
Ao redor das voltas das suas mães,
Muitas irmãs e irmãos,
Como aves no seu ninho,
Estão prontos a descansar,
E o esporte já não se vê,
Neste verde escuro.

CORDEIRO

Cordeirinho, quem te fez fiel?
Sabes quem te fez então ser,
Deu-te vida, e deu-te de comer,
Junto ao riacho e ao hidromel,
E deu-te roupas de prazer,
De roupa macia, lanosa, viva,
Deu-te uma voz tão terna ativa,
Fazer regozijar todos os vales?
Cordeirinho, quem te fez fiel?
Sabes quem te fez então ser.

Cordeirinho, vou-te dizer quando;
Cordeirinho, digo-te; teu ser,
É chamado pelo Vosso nome,
Pois Ele chama-se Cordeiro.
Herdeiro é manso, e é brando come,
E tornou-se uma criancinha ecoe.
Eu sou criança, e tu és cordeiro dele,
Somos convocados pelo nome Dele.
Cordeirinho, que Deus te abençoe!
Cordeirinho, que Deus te abençoe!

O PEQUENO PRETINHO

A minha mãe levou-me à doidice no Sul,
E eu sou negro, mas ó minha alma é alva!
Tão alvo feito um anjo é a criança inglesa,
Mas eu sou negro, estivesse em luto pela luz.

Minha mãe ensinou-me debaixo da árvore,
E, sentando-se antes do calor do dia,
Levou-me ao colo com amor e beijou-me,
E, marcando para o Leste, pôr-se a dizer:

"Olha para o sol nascente: lá Deus vive,
E dá com Sua luz, e dá com Seu calor,
Flores e árvores e animais e homens ganham,
Conforto de manhã, alegria ao meio-dia!

"E somos assentados na terra um pouco de ambiente,
Possa aprender a suportar as vigas do amor;
Estes corpos negros e está cara bronzeada,
São apenas nuvens, feito um bosque sombrio.

"Pois, quando nossas almas aprendidas calor aturar,
Nuvem apagar-se, ouviremos então Sua voz,
Dizendo: "Sai do bosque, meu amor e cuidado,
Da minha tenda dourada feitos cordeiros regozijam-se".

Assim foi que falou a minha mãe, e me beijou,
E assim desta maneira digo ao rapazinho inglês.
Quando preto, e Ele de branco liberto das nuvens,
Da tenda de Deus, feito cordeiros, alegramo-nos!

Vou fazer-lhe sombra desde calor até poder aturar,
Apoiar-se em alegria no joelho do nosso Pai,
E logo vou ficar de pé e acariciar lhe velos de prata,
E serei feito ele, e então ele irá amar-me.

OS PEITOS

Candido feliz pardal!
Sob as folhas tão verdes,
Sóis felizardos peitos,
Vê-te, célere feito flecha,
Cace o berço estreito,
Perto do meu peito!

Belo, belo Robin!
Sob folhas tão verdes,
Sóis felizardos peitos,
Ouve-o soluçar, soluçar,
Belo, belo Robin!
Perto do meu peito!

O PEQUENO MENINO OLVIDADO

"Pai, pai, onde é que vais?
Não apresse tão depressa!
Fala, pai, arenga com teu rapazinho,
Senão, perder-me-ei".

Noite estava escura, não havia pai,
Criança estava húmida de orvalho;
Lodo era fundo, e a criança chorou,
E o vapor voou ao olvidar!

O PEQUENO MENINO ACHADO

Rapazinho olvidado no pântano sós,
Está liderado pela luz errante,
Pôr-se a chorar, mas Deus, sempre chegado,
Surgiu feito teu o pai, de branco.

Beijou a criança, e pela mão guiada,
E à tua mãe trazida pela mão guiada,
Na tristeza pálida, por meio do vale só,
O teu rapazinho chorão buscou.

UM FILHO DE CRIAÇÃO

Suaves sonhos, formam sombras,
Na cabeça do meu lindo bebé!
Suaves sonhos, de agradáveis riachos,
Por feixes de luar felizes e silenciosos!

Suaves sonhos com suavidade,
Tecer tua sobrancelha coroa infantil!
Suaves sonhos anjo leve,
Passa por cima da minha filha feliz!

(....................................)

Chorei por mim, por ti, por todos,
Quando era um bebé pequeno.
Tu, a Sua imagem sempre a ver,
Rosto celestial que te sorri!

Sorrisos sobre ti, sobre mim, sobre todos,
Que se tornou um bebé pequeno;
Risos das crianças são os próprios sorrisos;
O Céu e a Terra para a paz do mendigo.

A DIVINA IMAGEM 

À Dó, à Piedade, à Paz e ao Amor,
E todos rezam na sua angústia,
E a destas virtudes do deleite,
Devolver os teus agradecimentos.

À Dó, à Piedade, à Paz e ao Amor,
E sendo Deus nosso Pai prezado;
À Dó, à Piedade, à Paz e ao Amor,
É homem, teu filho e teus cuidados.

Pois Dó tem um coração humano;
É a Piedade, em um rosto humano;
E do Amor, a forma humana divina:
E Paz, no traje mais humano.

Depois cada homem, de cada clima,
Que até rezam no teu sofrimento,
Rezando à forma humana divinal:
Trazendo Amor, Dó, Piedade, Paz.
TRAD. ERIC PONTY
SYLVANA MORGAMO

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