Desejamos ver que do mais belo abunda,
Para que está beleza em flor não me morra,
Que até dos frutos pródigos sucumbem,
Sendo justo uma prole lhe suceda.
Sendo justo uma prole lhe suceda.
Mas em si seus belos olhos dominam,
E feito é o alimento da tua chama,
Semeia-se à fome onde tudo está,
Sendo a tua própria presa maltratada.
Vós que hoje enfeitais mundo com vosso encanto,
E anuncia a Primavera quão ninguém,
Refere-se ao vigor deste casulo.
E não gastando das tuas reservas:
Tenha dó e não deixe da vossa gula,
Partir o pão do mundo com a tumba.
III
Contempla-te ao espelho e diz na face,
Do que ele já reproduz sem demora;
Se não renovar o teu frescor noutra,
Desse mundo uma mãe que desalenta.
Para que donzela seria tão soberba,
De proibir o teu jardim à tua semente?
Quem seria tão vaidoso a ponto de optar,
Privar-nos da beleza com tua morte?
És a efígie cuspida da tua mãe,
Ela vê em si frescura do teu Abril,
Velhice serás capaz de olhar pra si.
Ver idade de ouro em que vive agora,
Mas se tu preferir não ser lembrada,
Não geres e a tua imagem morre contigo.
TRAD- ERIC PONTY
SYLVANA MORGAMO

Nenhum comentário:
Postar um comentário