Mas muito mais formidável é o temor por mim mesmo. Esse deve ser percebido assim: já sugeri que na minha atividade literária e naquilo que se pauta com ela realizei pequenas provas de bem-estar e saída com uma sequela quase nula; muita coisa me aprova que duramente elas terão assiduidade. Apesar disso é meu carecer, ou antes: minha vida versa em velar por elas, em não aceitar que se aborde perigo algum que eu possa desviar — com sequela, nem mesmo a probabilidade dessa ameaça do silêncio.
Das minhas experiências de salvação em outros endereços Leitor-Crítico não sabia nada, por isso também não podia saber nada dos entendimentos que me haviam levado a essa disposição de me suicidar; precisava tentar adivinhá-los e, de acordo com avaliação geral que tinha a meu respeito, me indicou o que há de mais áspero e burlesco. E não hesitou um só instante em me dizer isso precisamente daquela maneira. o embaraço que assim me causou não era nada em comparação com a vergonha que, na sua opinião, eu iria infligir ao seu nome com esse ato de suicídio até traduzi o soneto vinte e dois de Shakespeare:
XXII
O meu espelho não me envelhecer face,
Se juventude andarem mãos dadas;
Mas quando tempo o marcou também,
Saberei que o tempo já me apanhou.
E por toda a beleza que viste apenas,
É o vestuário do meu coração: apenas,
Se ele viveu em ti como tu vives,
Porque deveria ser mais velho tu.
É por isso que estou a apelar ti,
Cuidar de ti, amor, quão eu cuido de ti,
Teu doce coração que eu, no meu peito,
Lido com os males como uma criança,
Deu-me o seu coração: se o reclamar,
Que acabas a minha e ainda te gabas.
Mais um indício da sua contenção inteiramente errada é o fato de que Leitor-Crítico possa crer que eu, o inerme, o indeciso, o conjeturado, me decida de uma pancada por um suicídio. Uma vez fascinado talvez pelo suicídio de Jean Luc Godard, lembrei-me de um poema de Saffo, ora, isso não adveio — o que é intenso não comporta avaliação — mas talvez tenha advindo algo pior. Aqui, aliás, peço-lhe encarecidamente que não se olvide de que nem de longe creio numa culpa da sua parte Leitor-Crítico que difundiu sobre mim como tinha de difundir, só que precisa deixar de considerar como uma perversidade característico da minha parte o fato de eu ter cedido a desta influência:
Uns dizem exército de cavaleiros, outros,
falemos soldados a pé, outros ainda dizem uma frota,
Sendo melhor da terra escura.
Digo que é o que se ama.
Todos podem compreender isto – considerar,
que Helena, sobrepujando de longe a beleza,
dos mortais, deixados para trás,
Do melhor de todos
Para velejar para Tróia. Ela lembrou-se que
nem filha nem pais queridos,
Como [Afrodite] a levou para longe
Prefiro ver o seu adorável passo,
E o brilho radiante do seu rosto,
que todas as carruagens de guerra em Lydia,
De soldados que lutam em armas.
Impossível ... de acontecer
. . humano, mas para rezar por uma parte
. . e para mim também.
Ouso falar que em toda a sua vida não incidiu nada que tivesse ostentado uma tal acepção para Leitor-crítico como, para mim, as provas de suicídio. Não quero falar com isso que você não tenha vivido nada tão extraordinário; pelo oposto, sua vida foi muito mais rica, cheia de apreensões e densa do que a minha, mas justamente por isso não lhe incidiu nada dessa natureza. É como se alguma pessoa encerrasse de elevar-se cinco degraus de uma opinião e uma segunda pessoa apenas um dos degraus, mas que, pelo menos, é tão superior quanto aqueles juntos; o primeiro vai pisar não só os seis degraus, mas também centenas e quilíades que dos outros objeção , terá desobediente uma vida extensa e muito cansativa, porém nem um dos degraus que ascendeu terá sido admirável como, para o segundo, aquele degrau inusitado, primeiro, alto, impraticável de montanha com as seivas todas de que prepara, e que não só não pode elevar-se como também não acontecer por cima dos fatos do Leitor-crítico, que desta vez crítica à tradução de um soneto de Paul Verlaine, que eu traduzi sendo que eu cito a seguir:
Dedico-vos estes versos por beata,
Dos vossos olhos, onde um sonho ri,
Não quero que rejeite a sua alma boa,
Estes versos se erguem angústia fatal.
Infeliz! Marasmo odioso mantém,
Não dá moedas e vai, ciumenta, louca,
Incluindo mesmo que alcateia de lobos,
Pendurar meu destino, ensopado em sangue.
Sofro e sofro de uma forma tão horrível,
Inicial lamento do homem Adão,
Mas écloga mansa, com meu checar.
Pelo contrário, ambos os suicídios, teriam se tornado suicídios. orientados pela razão, na medida em que toda a força do meu entendimento foi dia e noite agregada nesse plano, a primeira vez durante anos, a segunda talvez durante um certo tempo qual expansão da filosofia de Camus.
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