Das minhas experiências de salvação em outros endereços Leitor-Crítico não sabia nada, por isso também não podia saber nada dos entendimentos que me haviam levado a essa disposição de me suicidar; precisava tentar adivinhá-los e, de acordo com avaliação geral que tinha a meu respeito, me indicou o que há de mais abjeto, áspero e burlesco. E não hesitou um só instante em me dizer isso precisamente daquela maneira. o embaraço que assim me causou não era nada em comparação com a vergonha que, na sua opinião, eu iria infligir ao seu nome com esse ato de suicídio até traduzi o soneto vinte e dois de Shakespeare:
O meu espelho não me envelhecer face,Se juventude andarem mãos dadas;
Mas quando tempo o marcou também,
Saberei que o tempo já me apanhou.
E por toda a beleza que viste apenas,
É o vestuário do meu coração: apenas,
Se ele viveu em ti como tu vives,
Porque deveria ser mais velho tu.
É por isso que estou a apelar ti,
Cuidar de ti, amor, quão eu cuido de ti,
Teu doce coração que eu, no meu peito,
Lido com os males como uma criança,
Deu-me o seu coração: se o reclamar,
Que acabas a minha e ainda te gabas.
Pelo contrário, ambos os suicídios, teriam se tornado suicídios. orientados pela razão, na medida em que toda a força do meu entendimento foi dia e noite agregada nesse plano, a primeira vez durante anos, a segunda talvez durante um certo tempo como a expansão da filosofia de Camus.
Mais um indício da sua contenção inteiramente errada é o fato de que Leitor-Crítico possa crer que eu, o inerme, o indeciso, o conjeturado, me decida de uma pancada por um suicídio. Uma vez fascinado talvez pelo suicídio de Jean Luc Godard.
ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY
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