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quarta-feira, outubro 19, 2022

Sacerdócio da Poesia – O caso da tradução do soneto de duas poetisas - Eric Ponty

Meu prezado Leitor-Crítico, 

Eis que o meu material era tão alheio um ao outro, quando me censurar por falta de atenção intelectual, para mim, sempre foi misterioso esta total carência de impressionabilidade em relação à consternação e à embaraço que poderia me cominar com palavras e juízos: era como se Leitor-crítico não tivesse a menor noção de sua força crítica sobre qual material continham sua isotopia, por exemplo, este poema de Elizabeth Barrett dos Sonetos da Portuguesa:


XLIII

Quão é te amo? Deixa contar passagens,
Amo-te à finura, largura e altura,
Minha alma pode alcançar-te, ao sentir-se,
Para os fins do Ser e Graça ideal.

Amo-te na altura do dia-a-dia,
Precisão mais silente, luz sol das velas,
Amo-te livre, enquanto homens Direito,
Amo-te pura, eles se abrem Louvor.

Amo-te com a paixão posta em uso,
Nas velhas agonias, com fé da infância,
Amo-te com amor pareci perder.

Meus santos idos, - amo-te sopro,
Risos, prantos, toda vida! - e, Deus, quis.
Só te amarei melhor depois da morte.

Mas o estorvo mais importante a tradução é a convicção já inextirpável de que tudo o que é necessário ao sustento da forma ou mesmo à sua direção é aquilo que reconheci em Leitor-Crítico — na veridicidade tudo junto, o bom e o mau, tal como isso está organicamente uniformizado em Leitor-Crítico, ou seja, força e desdém pelo outro, saúde e uma certa falta de medida, dom oratório e escassez, crédito e descontentamento com todos, ascensão diante do mundo e tirania, noção dos homens e suposição em relação à maioria; depois, bens literários sem qualquer desvantagem, como produtividade, constância, presença de espírito, esperança, insolência, ainda mais cuja minha isotopia se deu da forma explicitada como neste soneto isotopicamente neste de Gaspara Stampa:



II

Ele foi próximo ao do que o Criador, que
Nem na tua altura ao tolo retardou,
Em forma humana vem se demonstrar,
Do ventre virginal saindo pela frente.

Quando digno, de meu ilustre senhor,
Tantos prantos esparsos ele pode,
Achar num lugar maior no meu ninho,
Fazer ninho abrigo da minha essência.

Onde eu sou rara e de alta ventura,
Acolhi prazer dormir só mais tarde,
Tenho fé digna do eterno cuidado.

Até cá axiomas, olhares retornam,
Para ele, símbolos de cada medida
Claro e alegre, só quando gira e guarda.

Tratava-se do fato de que Leitor-Crítico carecia causar essas desilusões ao Poeta, sempre e por começo, graças ao seu ser conflitante, em termos literários, e, mais ainda: de que o espírito de contradição se fortalecia incessantemente pela economia de pesado, de tal forma que no fim se aperfeiçoava se conferindo até como jeito, mesmo que às vezes Leitor-Crítico tivesse opinião igual ao meu, e por fim, já que essas desenganos não eram as desilusões da vida literária, elas desabavam no cerne da questão, pois isso dizia respeito à sua pessoa, de Leitor-crítico de todos os fatos. O sustento, registro, a fiúza, a alacridade em torno disto ou daquilo não se defendiam até o fim quando Leitor-Crítico era contra ou quando a sua aversão podia ser simplesmente presumida; e ele podia sem dúvida ser afetada em praticamente tudo o que eu fazia em termos de literatura.

ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

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