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quarta-feira, outubro 19, 2022

IRMA VEP DO REMAKE DO REMAKE - ERIC PONTY

Ainda abalado com o suicídio Jean Luc Godard e o descaminho do cinema dito de elite, encontrei por acaso, na internet Irma Vep da HBO MAX que faz o espectador adentrar nesse mundo quase surreal. Quem me deu a ideia foi Alice Penna, e, e fazendo jus a ela adicionei sua imagem no fim do artigo.

A narrativa apresenta uma visão bem interessante dos bastidores, assim como discute qual a função do entretenimento e o cinema dito cult nos dias atuais, em que produções antigas são repaginadas de modo apressado.

A série trabalha muito bem por pretexto de Alicia Vikander. Ela aciona com primor a carteira de uma atriz experimentada por filmes comerciais e que tenta variar essa visão fazendo algo tido como cult. Claro, a contextura acercar-se dos problemas na vida pessoal da personagem dela, sobretudo os de licença amorosa, para sobrepor uma camada extra de dramalhão.

E ficar ambíguo com Irma Vep, em afinidade ao que está sendo gravado ali, faz parte da charada. Porque nem mesmo os personagens sabem direito onde se enfiaram.

A minissérie fazer jus a ser vista por causa dessa marcha insana, do encanto de Alicia Vikander e de todo o universo cinematográfico metalinguístico armado.

Com o encanto da hipnotizante Alicia Vikander, atriz sueca vencedora de Oscar, Irma Vep convida o espectador para uma viagem insensato no mundo do cinema (ou seria TV?). A confusão oferecida pela narrativa é só um dos ares curiosos e charmosos da minissérie, que propõe um olhar crítico sobre os bastidores da indústria do entretenimento.

Alicia interpreta Mira Harberg, uma celebridade americana da mais alta prateleira em Hollywood, famosa por fazer filmes de heróis tipo Marvel. Desiludida, ela decide dar um breque nesses trabalhos comercializais e acolhe ser protagonista de um projeto experimental, gravado em Paris (França).

Mira topa liderar o remake do filme (real) Les Vampires, um marco do cinema mudo francês da década de 1910. Um dos baratos de Irma Vep é classificar esse projeto. Para o diretor René Vidal (Vincent Macaigne), cotado apesar de ser voltário e difícil, trata-se de um filme cult extenso, pois ele jamais iria se render ao delicado produto que são as séries de TV.

Na verdade, o que René está gravando é mesmo uma série de TV, queira ele ou não. Irma Vep entra naquela bate-papo travada em Hollywood quando a matéria são minisséries, ou “um filme de oito horas dividido em oito partes”, como pronunciam por aí. 

Para acrescer a dose esdrúxula da minissérie, Irma Vep foi criada por Olivier Assayas, cineasta francês que por sua vez fez um filme de fato chamado Irma Vep, lançado em 1996. A atração da HBO acaba sendo uma versão ajustada desse longa moderno, que o remake do remake… produto de uma indústria que namora fazer remakes.
Les.Vampires.1915.Louis.Feuillade

Alice Penna para Elton Avila

POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

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