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sexta-feira, outubro 21, 2022

Ao Leitor - Charles Baudelaire - Spleen et idéal - Trad. Eric Ponty


A tolice, o erro, o pecado, a sovinice,
Ocupando nossos espíritos e corpos,
Que nos alimentam nossos amáveis remorsos,
Quais mendigos nutrem seus parasitas.

Pecados são teimosos arrependimentos, 
Nós fazer pagar muita nossa confissão 
Nossas voltas alegres lodosos caminhos
Crentes vis choros lavar todas nossas nódoas. 

Sobre orelha do mal do Satã Trismegisto, 
Que ilude longamente nossa alma encantada, 
E o rico metal tinir de nossa vontade 
É tudo vaporiza por sábio tão químico. 

Este diabo que tem filhos que nos agitam! 
Aos objetos repugnantes nós encontramos 
Cada dia versa inferno nossos decaídos passos 
São horrores defeitos das trevas que fedem. 

Como um deboche pobre sexual comido, 
A teta martirizada antiga meretriz, 
Nossas fugas passagens prazeres clandestinos 
Nos incitarmos bem fortes qual velha laranja. 

Apertando formigar como milhão vermes, 
Em nosso cérebro bródio um povo demónios, 
Quando nós respiramos Morte em nossos pulmões, 
Desce rio invisível com surdas queixas. 

Se violência, veneno, punhal, incêndio, 
Não faz passa borda de agradáveis desenhos, 
Nas telas banais lastimáveis destinos, 
Nossa alma, hélas não está passar suficiente ousada.

Mas dentre meio dos chacais, panteras, os linces, 
Macacos, escorpiões, abutres, serpentes, 
Monstros estridentes urrar, rosnar, rastejantes 
Em mendicidades infames de nossos vícios. 

Ele não está mais feio, mais perverso, mais imundo, 
Ainda nem empurre grandes gestos nem grandes gritos, 
Ele tenha-o de boa vontade da terra um caco 
E em bocejo tão tíbio engolindo o mundo. 

Este é tédio! _ Olhar carrega choro involuntário, 
Sonhas cadafalso fumegante seu assovio 
Tu conheces leitor, este mostro delicado 
_. Hipócrita leitor – meu semelhante – meu irmão! 

Trad. Eric Ponty

POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

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