Do abismo sombrio arranquei maravilhas estranhas: uns elogios brilhavam quais sorrisos, outros quais lágrimas das dores passadas. Outras tão pálidos como as faces da lua.
Quando, trazendo o meu destino precioso, retornei à casa e vi uma moça que parecia uma louça de jade distraía desfolhava uma rosa de tons azuis.
Pensei num pequeno instante. Depois depositei aos seus olhares todos que eu recebi – fiquei em silêncio.
Moça desceu sobre isso num olhar distante, e murmurou esse poema traduzido que reproduzo:
Ofereço-vos versos, pra bem vossos olhos,
Dum sonho doce ri e chorava e conforta-me,
Pela vossa alma, tão pura e tão boa; ofereço-vos,
Versos interiores minha angústia violenta.
Infeliz! o horrível marasmo que me invade,
Correu sem descanso, zangado, furioso, irado,
Tal qual matilha de lobos, está a crescer,
Pendura meu destino se cobriu de sangue.
Ó, estou a sofrer, estou a sofrer um terrível,
Que lamento do homem primitivo, expulso,
Éden, é apenas, ao lado do meu, uma écloga.
E quaisquer inquietações que possamos ter são,
Quais as cotovias dormiram do céu da noite,
Num dia quente do Sol sombra, minha querida.
Então desceu sobre isto um olhar ainda mais distante: - Que coisa tão estranha! E, para que isto serve?!
Envergonhado, baixei a cabeça e murmurei: - Não esculpi nenhum destes versos! Nada aqui foi adquirido. Nem servem de presentes para ela.
Então, durante a manhã, lancei esses versos a luz do sol, esses que eram quase tesouros ao cotidiano destes terrestres.
De noite chegaram uns visitantes; e recolheram algumas réstias desses versos no múrmuro da lua levando para locais ainda mais distantes.
ERIC PONTY
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