Quero-te canto, amor, louvor próspera,
Se fosse coração ilustre dum amante,
Amando assim, que enfim finde saudade,
Nunca sempre dispersa tal verdade.
Quero-te canto, que enfim de acalanto,
E te amar muito além dessa igualdade,
Quero-te mui além sessão da estadia,
Quero-te qual uma amiga semblante.
Quero-te por querer mulher presente,
Dum louvor que tão justo dessas chamas,
Sê inteiro disponho dor fez amiga.
De tanto de querer tua ausência cria,
Selvagens melodias que estão no dia,
Com um desejo dum anjo premente.
De todas, ao meu amar serei devoto,
Antes cavaleiro e sempre encanto,
Que seja de tal zelo em face amor,
Dele reencontre meu pensamento.
Quero ora-la és cada entrega louvor,
Da que mesma tal face desse canto,
Quero exista em flor rosto meu pranto,
Dele perpasse o riso sentimento.
Sendo assim ao mais tardar me encontre,
Sendo em louvor de emigrar em tua flâmula,
Ao sorriso pesar imortal do pranto.
Podendo dizer-vos em cada chama,
Sendo assim ao mais tardar venha achar,
Quem indagará só da solidão.
de que estadia olhar teu.
Numa Via láctea azuis.
Ó, minha eleita há Deus,
de que estadia olhar teu.
Quantas estadias dos réus
Num julgamento tão só teu,
Percorrem esse Lenheiro,
Quantas sortes aos desvios,
Quanta alma ida a Deus.
Ó, minha eleita há Deus,
de que estadia olhar teu.
Sê adeus houvesse entre meus,
Fizeram luares mui cheios dos teus,
Assim não fizeram viagens dos meus,
Em que jaz Via láctea olhar teus,
Ao passarem por mim sombras tuas
Fizeram distantes efígies aos teus.
Ó, minha eleita há Deus,
de que estadia olhar teu.
IV
Fizera Deus seja espera tuas luzes,
Ressurgirem na mansidão aos céus,
De se assim perdê-la por meio dia,
Meu desvario aos teus pés então...
Sê a dor for de alguma hora,
Te achar só com seus cabelos,
Trate-0s com muito louvor,
Porque essa dor busca ardor
Falando de ti mesma Lenheiro.
Com toda parcimônia da avenida
Por que do ausentar-se de ti
Ardem mais do que flâmulas,
Urgem ao chão todas estátuas
De águas com só tua presença brinda
Por que não há nenhuma passagem
Em faz-lhe um ardor com louvor,
Talvez fossem sapatos do dia,
Que se mesclam as nuvens azuis
Quando a dor chegar na carruagem
Trazida por soldados doutros campos
Passará muito risonha a teu orbe,
Pois teu traje de viúva se uma casta,
De ter dito o que foi dito.
V
Matos, perdidos, cortei ramo escuro,
E aos lábios, sedentos, icei seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
Arco-íris rubi ou coração cortado.
Algo de tão distante parecia,
oculto grave, coberto por terra,
Grito ensurdecido imensas trevas,
Líquido cristais entreaberto húmido.
Mas aí, despertando dos sonhos gris,
Cantou debaixo dessa minha boca,
Sendo cheiro vaguear me fez clamar.
Sê me buscaram de espanto das raízes,
Da terra perdida com minha infância,
Me detive ferido aroma errante.
VI
Continuaram trazendo coisas lua,
Feitos de metal dentre estrelas sós,
Homens extenuados irão subir,
Sendo violaram à grave está frágil,
Fundaram comarcas com o teu nome.
Nesta época de plena uva e estrelas,
Que duma bebida de licor grave,
Começarão entre mar, e, dos Lenheiros.
Em São João dançam e bebem choros,
Cantam tão sós as mulheres morenas,
Nesses instrumentos d´água refletem.
O sol ecoa qual o sino no arvoredo,
Fazendo refrões de trigo e de leite.
O primeiro licor é de tom rosado,
Tão doce na essência menino terno,
O segundo licor é de cor robusta,
Passando-se pelo eco marinheiro,
E o terceiro licor passa topázio,
Sendo tu és amapola e incêndio.
VII
No meio dessa lide vi passar,
desencontrei na rua uma treva escura,
com dum rumo direito vi-a andar
Ah, quanto descrevê-la é engenho,
Esta treva coragem arde forte,
Do que o pavor pensamento se engenha
De tal amargor só maior na morte,
Mas quando meu bem amor encontrei,
Sendo coisas falei de minha morte.
Não posso descrever face que amei,
Tão distante eu estava àquela achei,
Sozinho veraz via abandonei,
Quiçá, ao pé dum Lenheiro pronto,
Surgida onde findava o rio aberto,
Tal ao medo ao coração deu-me em confronto,
Olhei-a no alto rio em ombros, certo,
Vestida já sombras de luz completa,
Da avenida que indica o rumo perto.
VIII
Aonde está? Em quais das margens? Está só,
Minh ´alma clama em ti aos céus dos anjos,
Haverá alguma presença contigo,
Pois sois angelical mulher de mim.
Na tua ausência padeço ausência teu,
Quais dos louvores ser renasce mundo,
Pois teu silêncio composto das flores,
Que enfim decomporão meu funeral.
Surjas do silente mundo pra dizer,
Quais dos louvores ter renasceu mundo,
Pois teu silêncio composto das flores.
Minha alma clama em ti aos céus de Deus,
Pois teu silêncio composto das flores,
Surjas amor dizer-me enfim calar-me.
IX
Por onde segue indago-me com sombras,
minha casa tem luz feita de adobe,
se vier a ser minha consorte olhos,
de cores de arco-íris céu silvestre,
quando chegada vem noite noturna,
sê tu chegar a mim chega de verde,
logo a bruma da lua será espuma,
sonha agora qual uma noiva alva.
Construirão várias coisas nessa lua,
Coisas fundidas de metais de estrelas,
Já ficaram extenuados homens,
Vão violentar da frágil suave lua,
Que fundarão igrejas além farmácias,
Nessa época semear as parreiras,
Sê do vinho começam das missas,
Entre céus e das serras Lenheiras.
Em São João cantam calor das certezas,
Dizendo-nos de morenas escuras,
Em seus violões escorrem das águas.
O sol nos faz cantiga quais dos trigos,
Fazendo milagres tais pão e do vinho,
Em sua demais que graúda da saudade.
Sê do primeiro vinho seja beato,
Sendo tão doce qual menino terno,
Segundo vinho se compõe robusto,
Talvez a voz dum do Lenheiro douro,
quiçá terceiro vinho és de topázio,
sendo da amapola, de quase flâmula,
por favor encontre urgente comigo.
X
Vejo, à avenida do Presidente Tancredo,
Cujas estátuas estão de frente entre ramos,
Sob botões rosa e azul, tu amada és passagem,
Está adornada com flor da fonte ilusória.
Num grande jardim com sério d´águas Lenheiro,
Onde, pelos arqueiros, procissão passados,
Chorarem misteriosos jorros chuvas d´ água,
Onde sangue das fontes feridas são estátuas.
Aos sons das rebeliões angélicos de doentios,
Que se fazem das frágeis das flautas vivas,
Passarem num cortejo das crianças tardias
Ao carregarem tuas malditas desgraças.
Misturam-se num parque dessas diversões,
Todos tempos trajes uns a pé, outro em cavalo,
Ou em carruagens tão póstumos das memórias,
Dos mais pequenos dos que os teus escudos.
Marionetas com gestuais anjos altivos,
Mínimos e maliciosos gestos marquesas
Erguendo-se punhos à graça os teus filhos,
Em vez de cuidarem periquitos, águias.
São frontes das angústias que içam a ti,
Nessa prece, ó sonho são trevas do caminho,
Unindo amores que nos passaram relógios,
O Sol, passagem Tancredo és delicadeza!
XI
Será assim, Minh ‘amada, por certo,
Estarei só contemplando teu orbe,
Irei receber um soco na face,
Então que se fará uma aragem perto.
Tu me olharás bem fundo nessa alma,
Sendo que eu responderei mais pronto,
Partiremos do teu orbe com certeza,
Para essa treva achada posta em frente.
Ao transpormos da vida ungida em frente,
Eu, em lágrimas te falarei:- És poente,
Ao silenciarmos boca jorra em frente...
Sendo quase dos dois parceiros sorte,
O beijo da aragem contemplar poente,
Talvez eu seja irei partir com morte.
XII
Quem em todo este rosto amar não quer?
Não negar amor feito luz, não há
Desde jovem o olvido quando diz,
Ainda ao cheiro da flor ia recolher.
Fel ou mel, há quem só achou o lenço,
Para a delírios responder, sem presa,
Sê alheios prantos. Zeus pleno acena,
Que há muito choro, tudo está em paz.
Ao degradar-se, e assim a coisa dita,
Amada retorna esquecimento,
Ou ódio. Amada minha, tu me fitas.
De outra forma. Tu aguardas o momento,
Em que das almas toquem já restritas,
E saber, de outros não, ausente o intento.
ERIC PONTY
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