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domingo, junho 12, 2022

O POETA COMO PERGUNTA - Fernando Fiorese

 Ao Eric Ponty 


Era de perguntar, são quantas
as vozes do poeta, os seus modos
de nos dar, em palavras-andas,
o que acolhe do diário solo,

de advogar o viés, de esperar
uma outra mão, essa que enfim
desfaz o limite e o lugar,
e escrever se torna sem fim?

*

Era de perguntar, o poeta
do ator em cena quanto tem?
E se dele a máscara arreda,
sob haverá o rosto de alguém?

Ou ali apenas acena o ausente,
esse que quando diz já não é
senão o autor de um livro doente,
antes do de, depois do até?

                    * 

Abraços,
Fernando Fiorese







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