O que tua arte infinita, e, providência,
Demostrou em teu admirável magistério,
Que, com esse, creio ao outro magistério,
Jove, mais que à Marte, lhe deu clemência.
Vindo ao mundo alumbrado com tua ciência,
Verdade que no livro era mistério,
Mudou de Pedro e João o ministério,
Para rede, lhes deu o céu como herança.
Ao nascer, não se arrogou à Roma dar-se,
Sim a Judeia que mais que todo estado,
Exaltar a humanidade lhe aprecia;
Hoje, duma aldeia rica um Sol há dado,
Que a Natura ao lugar fez alegrar-se,
De onde mulher tão bela haja visto o dia.
Sê com suspiros de chamamos trato,
Sendo nome escrito em meu peito, amor
De que tua Laude começa já rumor,
Do primeiro suave acento me precato.
Vossa realeza, que digo de imediato,
Redobrava em alta empresa meu valor,
Porém cala! Me grita ao fim, que honra,
Render-lhes doutros ombros peso grato.
Ao Laude, assim, e reverência ensina,
A mesma voz, sim mais, quando ombreamos,
Ó da alavanca e de respeito mui digna.
Assim que se mortal língua se empenha,
Ao dizer de seus sempre verdes ramos,
Tua presunção talvez a Apolo indigna.
FRANCESCO PETRARCA - ERIC PONTY


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