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quinta-feira, junho 23, 2022

Corona & Coronilla - Paul Valéry



«Verdadeiramente existem boas coisas nesta coleção, este pobre montão de horas devotas e cantarinas. Sim que me valeu à pena. Formando um conjunto como não há outro, eu creio, em nossa poesia». Isto ele escreveu destes versos sujos nós diz Paul Valéry em 1945, pouco antes de sua morte. 

Mantidos em sigilo ao largo de 60 anos, os mais de 150 poemas de amor que o Mestre escreveu nos últimos sete anos de sua vida a Jeanne Loviton, «Jean Voilier», nos descobrem uma faceta inédita e fundamental dentro do conjunto de sua obra: Uma das séries elegíacas mais formosas da poesia francesa. 

Quando se conheceram, ele tinha 67 anos e ela 35. Quando Jeanne lhe deixou para casar-se com um outro, sendo sete anos mais tarde, o Poeta só sobreviveu há dois meses ao seu estado de abandono. 

Recolhidos agora, esses poemas que lhe dedicou completam com extraordinário, e, brilhante de um corpus lírico dum Poeta de obra breve e de impecável maestria, que sempre se alardeou de burlar poesia da ternura e do amor.

À Tradução espanhola de Jesús Munárriz, para o nosso gosto deixa muito desejar, pois, ao não assumir para si, uma tradução métrica, fazendo em versos ditos livres, falseando os preciosos versos em espanhol etc...

Quanto a fatura de Jesús Munárriz, não chega nem perto da poesia de Paul Valéry, não fazendo qualquer jus à língua pátria, sendo o mais importante é reunião dessa coleção de 150 poemas separados em cinco sessões das duas partes que estavam em duas Universidades em país distantes que constam nesta edição espanhola.

Mário Faustino das Alterosas

PARA D. APARECIDA FRANCO

SONETO PARA NARCISA

Ó das tuas mãos frescas, brandes, das flores,
Minha fronte não sonha mais ter outra coroa,
Que dessa lucidez qu´Amor fez meio ambiente,
Confundem-se sombra amorosa, fonte pranto.

Respirando do teu seio calor profundo,
Tanta alegria abunda ao coração qu´abandona,
Que ante custo doces fardos que tons de apreço,
Glória nem deste mais qu´um estranha desgraça.

Deixei-o se desvanecer os meus desejos;
Certo erário em sobre mim são iguais de seda,
da tua fortuna olhando ao luzidio vivos.

O que sente por mim eu adoro em teus olhos,
Ó beijo entre tuas mãos, fecham o meu Diadema,
Dos rubis dum beijo, ao içar fronte que te ama.

CORONA

Que leiam seus belos olhos que eu amo,
Ao considerar Dama dos céus olhares,
Sendo que minha voz fazendo de mim mesmo,
Luz confessará meu pensamento precioso.

AO fazer sentença, aforismo, blasfémia,
Raios de luz do meio, minha curiosidade,
Sou claro mui antes que deste coração doa,
Que venham estás trevas a desvanecer.

Venha para brincar, minha DAMA espiritual,
Brinco, muito doce, simpática e terna e tal,
Quero-a seu canto PETRARCA para escrever.

Quero aqui que tanto se sonhe um ar de Lira,
Tão discretamente este os de tua persona:
Que tenha meu coração leva-me assim espírito.

PARA PETRARCA

Suprema rosa, orgulho do meu inverno,
Ó mais belo azar da minha história,
Faz ó flor, que dentro da minha glória,
Amor me a roer, eu mostro do verme.

Gentil ao beijo, delicioso suco,
Tua boca vale mais doces versos,
E olham de teus belos olhos vários,
fale-me sobre eles mais memória.

Tu me fazes mal de todas belezas,
E o teu corpo oferta-me a crueldade,
Quando estou só ganhar vida em pintura.

E na noite tortura-me a dormir,
Sê acarinhá-la sem cessar piedade,
Suave Tua Laura desse meu tormento.
Paul Valéry – Trad. Eric Ponty

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