havia o poço de olvido que tu preferias,
Porém a melhor parte de ti espaço,
na realidade a única constante de teu espaço,
ficará para sempre em mim, dolente,
persuadida, frustrada, silenciosa,
ficará em mim teu coração inerte e substancial,
teu coração de uma promessa única
em mim que estou inteiramente só
sobrevivente após tu.
na realidade a única constante de teu espaço,
ficará para sempre em mim, dolente,
persuadida, frustrada, silenciosa,
ficará em mim teu coração inerte e substancial,
teu coração de uma promessa única
em mim que estou inteiramente só
sobrevivente após tu.
Despois dessa dor redonda e eficaz,
pacientemente amargo, de invencível ternura,
já não importa que use tua insuportável ausência
nem que me atreva a perguntar se cabes
como sempre e numa palavra.
O certo é que agora já não estás em minha noite,
desgarrador idêntica as outras,
que repeti buscando-te, caçar a ti
Há somente um eco irremediável
de minha voz qual menino, essa que não sabia.
Agora que medo inútil, que vergonha,
não ter oração para morder,
não ter fé para cravar as unhas,
não ter nada mais que a noite,
saber que Deus se falece, se resvala
saber que Deus retrocede com os braços cerrados,
com os lábios cerrados, com a neve,
qual um campanário atrozmente em ruinas
que desandará séculos de cinzas.
É tarde. Sim embargo eu daria
todos os juramentos e as chuvas,
as paredes com insultos e mimos,
as janelas de inverno, ao mar a vezes,
pôr não ter teu coração em mim,
teu coração inevitável e doloroso
em mim que estou inteiramente só
sobrevivente após tu.
MARIO BENEDETTI – TRAD. ERIC PONTY

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