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sexta-feira, junho 17, 2022

A CIDADE - Konstantínos Kaváfis – Trad. Eric Ponty


O Senhor o disse: "Vou prá outra terra, prá outro mar;
Vou deparar-me outra cidade melhor do que está.
Todos os valores feitos estão execrados ao falho;
E o meu coração - qual coisa morta - está pregado.
Durante quanto tempo meu pensamento
Ficará a jazer á desmerecer desse jeito?
Pra onde quer que vire os meus olhares,
pra onde quer que eles se encobrirem
Olho-me nas ruínas negras da minha vida, aqui
Onde dilapidei, dissipei e derribei tantos anos".

Novas terras não acharão, não achará outros mares.
A cidade seguir-vos-á. Regressará às mesmas ruas.
Irá envelhecer nos mesmos bairros; e nestes
das mesmas casas que se tornarão cinzentas. 
Ficarás sempre de chegar à mesma cidade. 
Nem sequer espere escapar a cidade,
Não há navio pra si, não há estrada,
pra fora da cidade. Pra fora não há nada.
Como desaproveitou a sua vida aqui, 
neste pequeno recanto com seu esforço,
dissipou tudo em todo o mundo.

Após a sua morte, a obra de Cavafy tornou-se objeto de estudo por numerosos poetas e críticos de todo o mundo. Os seus poemas foram publicados em colecções e ele é o poeta grego contemporâneo mais traduzido. Os seus poemas foram traduzidos para francês, inglês, alemão, italiano, espanhol, holandês, árabe, japonês, arménio, hindi, eslavo, e muitas outras línguas. Na Rua Lepseia em Alexandria, o seu apartamento foi transformado num museu com holografias do poeta, com publicações, traduções e outras peças de arte inspiradas no seu trabalho; exposto há uma combinação muito rica de material filosófico, filológico e fotográfico que está à disposição de todos os visitantes.

Quando deixamos de lado as caracterizações e etiquettes, ou códigos de barras como lhes chamo, que não servem outro propósito senão o de transformar este poeta universal em mercadoria no corredor da Drug Store; quando vamos muito além das afirmações dogmáticas como "Cavafy era um homossexual" disse W.H. Auden; quando vamos além de comentários como: "Se Cavafy não fosse homossexual ele não seria Cavafy" um jogo de palavras que não significa nada na sua essência; quando frequentamos além de afirmações que asseguram tudo  isso:

Quando vamos além das afirmativas das quais afirmamos isso: "A homossexualidade de Cavafy foi fundamental para a sua aceitação e fama entre os círculos de leitura britânicos", sugerindo que a maioria dos leitores britânicos de poesia são homossexuais e, como tais, o aceitaram Cavafy no seu círculo, (declarações referidas no artigo de Tziovas), se formos além do meramente superficial e olharmos para a pessoa e a sua poesia, encontramos o homem mais doce, solitário e desesperado que amou a vida, que amou as pessoas, que era mais Helénico do que os Helénicos que vivem na Grécia, que foi um farol no meio da mediocridade e vulgarismo humanos e que, como farol, demostra a passagem para aqueles que do que os heleneses que vivem na Grécia, que foi um farol no meio da mediocridade e vulgaridade humana e que, como farol, demostrou a passagem àqueles que se preocupam em ler e apreciar os seus versos.
MANOLIS
Konstantínos Kaváfis – Trad. Eric Ponty

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