I
Desejamos ver que o mais belo abunde
Para que a beleza em flor não morra,
Pois até o fruto pródigo sucumbe
Sendo justo que um retorno o suceda;
Desejamos ver que o mais belo abunde
Para que a beleza em flor não morra,
Pois até o fruto pródigo sucumbe
Sendo justo que um retorno o suceda;
Porém em ti mandam teus formosos olhos
E ao ser tu o alimento de tua chama,
Semeadura a fome ali donde há de todo
E sóis tua própria presa maltratada.
Tu que hoje adornas com tu encanto o mundo
E anuncias sem igual a primavera,
Mesquinhas ao vigor de ti capulho
E ao não gastar derrotas tuas reservas:
Tenha dó e não deixes que tu gula
Se parta ao pão do mundo com a tumba.
William Shakespeare
– Trad. eric ponty
II
Quando um assedio de quarenta invernos
Te cruzas o belo prado de trincheiras,
Tua roupa, que agora é ostentoso e novo,
Será uma piscadela que já não interessa.
E quando te perguntem onde jaze
O esplendor de teus bem longe anos,
Não digam que em teus olhos espectrais,
Pois soará a artifício o da bochecha.
Darás mais digno emprego a tua postura
se podes contestar: «Este filho meu
Redime minha velhice, quadra minha suma;
Meu patrimônio está em seu parecido».
Chegada a velhice, sua jovem vida
Acalentará teu sangue que se esfria.
William
Shakespeare – Trad. eric ponty
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