Mariluze
Ferreira de Andrade e Silva
Eric Ponty faz parte
da geração "multimídia",
isto é, a geração
de poetas que
busca outras formas
de expressão como
o poema visual,
o teatro e a composição
musical. Eric Ponty, além de ter livros de poesia e ensaios,
é teatrólogo em
São João del-Rei, libretista de ópera, autor de
romances e novelas,
literatura infanto-juvenil
e traduziu a obra de Paul Valéry O cemitério marinho, publicada em
São João del-Rei.
A carreira
literária de Eric Ponty iniciou aos 16 anos quando
escreveu a sua primeira
peça teatral.
Aos 18 anos encenou uma nova peça no Teatro Municipal de São
João del-Rei e no Teatro da Reitoria da Universidade
Federal de Minas
Gerais.
Dos muitos
trabalhos poéticos publicados por Eric Ponty, Assis Brasil incluiu, em sua Antologia dos poetas mineiros do século
XX, algumas amostras dos livros de poesia
Livro sobre
tudo (A Voz
do Lenheiro. São João del-Rei: 1997) e Melancolia para uma tarde de domingo.
Além desses, Eric Ponty publicou Homo-imagens (A Voz
do Lenheiro Editora. São João del-Rei: 1996).
Um
dos poemas incluído em
Livro sobre
tudo/1977 e destacado
por Assis Brasil para
publicação na Antologia dos poetas
mineiros do século
XX é o Os sinos
da perplexidade, que transcrevemos e
analisamos, a seguir.
1. Os sinos
da perplexidade/ Os sinos da anunciação/ Os sinos
que são
hinos ...//
2.
Carro que
passa, boi
que fica, solitário
e morto no pasto,/
após o gesto que configura/ na soturna
surdina ....//
3.
As torres resplandecem o céu./ a arquitetura
sobreposta da janela,/ que ao invés de
abrir; resseca.//
4.
As falas são
muitas ao amanhecer,/ ainda
haverá o que já
ocorreu,/ todas aquelas/ todos aqueles/ tudo aquilo...//
5.
Os sinos da Ave-maria/
os sinos femininos/
os sinos assassinos...///
Na simplicidade
da linguagem, Eric Ponty pinta um retrato da cidade
- como é e como
foi - nos seus
aspectos artístico-culturais mais importantes,
impregnando, na construção da poesia,
o real observado
e o imaginado emocional.
Outro
poema destacado
por Assis Brasil, que
faz parte do livro
Melancolia para uma tarde de domingo,
leva o título
"É o meu tédio
uma canção passageira"
que transcrevemos e analisamos.
1. É
o meu tédio
uma canção passageira/
que não
cai em desuso/Que
não perde sua
folhagem ferrugem/que se distrai, que
se retrai no tosco grito//
2. É
o meu tédio
uma canção passageira/
que solta
as flâmulas da bandeira/
deixar cair tombada no espaço/ que me busco e não me acho.//
3. É
o meu tédio
uma canção passageira/
acorde de todas as manhãs/
usuais verbos
de defuntos/ que
a si recitam versos/
quando tombam no solo
seu último delírio.
4. É
o meu delírio
uma canção passageira/
que leva
e traz notícias alvideiras?/
5. Eu te
escuto tédio meu,
singelo martírio/
dissecado e nu de presságios...//
Eric Ponty é membro da Academia
de Letras de São
João del-Rei ocupando a cadeira cujo
patrono é o poeta
José Severiano de Resende.
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