Três cores vi o Abismo vestir veste uniforme;
É bom que hoje os belos púrpuros se acender-se,
velando o brilho esmeralda e o resplendor azul.
É bom, também, nuvens humildes e sombrias cá se ergam.
No fausto escuro ao redor, bordadas beleza,
com o alvo de arminho ondas: para mim, trazem
memórias aquosas de Teu destino místico,
cujo Nome foi escrito na Água (diz teu túmulo).
Que as ondas tristes chorem para sempre a morte,
Domem em tua dor entre as rochas onde ele pousou,
Ou agitem em silêncio, aspirando com sopro afogado.
Enquanto as névoas e a chuva se perdem tristonha,
E suave as breves gotas fluem das árvores chorosas,
Tremendo angústia ao sopro da brisa soluçante.
Diariamente penso nela; penso e me inquieto;
E seguro seu rostinho entre as mãos de oliva;
Mas ainda a poupo — mesmo que vãos — dos beijos.
Isso porque, quando pela inicial vez olhei aquele rosto.
II
Ele acordou dúvidas que talvez nunca mais eu consiga olvidar,
E temores místicos que não consigo abarcar.
Vão além medos que os amantes enlevados nanam,
De que a fé possa mudar antes da morte; pois sabem:
‘E ela depois da morte? Que persistiremos?
A morte será boa e já manterá então inteira?’
Perplexo com isso, não a beijei; olhei para serra,
E mesmo agora me pareceu ouvir um sussurro:
‘Aprendeu assim a Lei do Amor e, ainda assim, não sabia
Que a beleza dela não perdura? Então, pode a alma dela?’
WILFRED OWEN - TRAD. ERIC PONTY


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