Os santos têm adorado a sua alma sublime.
Os poetas empalideceram diante de sua grande fama.
Estamos entre os muitos milhões que
A cada hora aguardam para seguir seu caminho.
Você, tão familiar, antes era desconhecido: tentamos
Viver como se não percebêssemos sua presença.
Mas agora, em todas as estradas, por todos os lados,
Vemos ali sua placa indicadora, reta e firme.
Penso nisso como aquela placa na minha terra,
Envelhecida e alta, que me indicava seguir
Para cima, em direção às colinas, à direita,
Onde as névoas flutuam e os ventos uivam e sopram,
Uma terra sem lar e sem amigos, mas uma terra
Que eu não conhecia e que desejava conhecer.
II
Assim, assim é a Morte: sem triunfo, sem derrota:
Apenas um balde vazio, uma lousa limpa,
Um afastamento misericordioso do que já foi.
E isto sabemos: a Morte não é a Vida exaurida,
A Vida esmagada, o balde quebrado. Nós, que vimos
Coisas tão maravilhosas, sabemos bem que o fim ainda não chegou.
Vencedor e vencido são um só na morte:
O covarde e o corajoso; o amigo e o inimigo. Os fantasmas não dizem:
“Venha, qual foi o seu histórico enquanto respirava?”
Mas uma grande mancha ocultou cada ontem
Tão pobre, tão manifestamente incompleto.
E sua brilhante Promessa, há muito murcha e perdida,
É tocada, se agita, se ergue, se abre e se torna doce
E desabrocha e é você, quando você estiver morto.
Charles Sorley - TRAD. ERIC PONTY


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