Nas profundezas da grama verdejante e da argila pesada
Depuseram seu corpo ferido e a criança.
Pobres vítimas de um infortúnio repentino, eram elas,
De repente seduzidas pelo alçapão da Morte.
Eu, sem chorar como os outros, mas com o coração em fúria,
Afirmei ao Céu que até mesmo a chama feroz do Amor
Deveria se extinguir diante do frio desta vergonha gélida.
Assim me rebelei, desprezando e zombando daqueles
Que tinham a insensibilidade ignorante de se casar
Nos degraus do altar há muito congelados pelo toque
De uma maca após a outra de nossos mortos.
A cegueira do amor é terrível demais, eu disse;
Irei aconselhar os homens e mostrar em que cesto
É colhida a safra de seus lares.
Mas, enquanto falava, muitas crianças se aproximaram,
Correndo levemente pelo gramado da vila;
Pareceu-me levemente demais, pois vinham espiar
O leito terreno de seu companheiro de brincadeiras.
Elas se aglomeraram ao redor; algumas se perguntavam o que significariam
Flores de aroma intenso tão submersas na terra fétida;
Enquanto outras adivinhavam o enigma da Morte antes mesmo do do Nascimento.
E ali estava uma Criança com elas, cujas sobrancelhas pálidas
Exibiam a beleza de nossa mãe Eva; ao vê-la,
Não pude deixar de desfazer todos os meus votos,
E clamar que era bom que o Ser Humano,
O Nascimento e a Morte existissem, apenas para libertar
Um rosto como aquele do ventre turvo do Caos,
Pois o perdão do Inferno não vale está única flor.
WILFRED OWEN - TRAD. ERIC PONTY

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