SONETO LUXURIOSO – I
Vamos trepar, minha alma, ir trepar logo;
É, pois, todos nascemos para trepar;
e se adora o pau, eu amo uma buceta,
e o mundo seria uma merda sem isso.
E se trepar após Morte fosse honrado,
Diria: Trepar tanto que vamos morrer;
e lá, treparemos com Eva e Adão,
que acharam na Morte tão desonrosa.
- É verdade sendo que, se os malandros
não tivessem comido o fruto traidor,
eu sei que amantes estariam se aprazendo.
Mas troca de lado as falas vãs, e até o íntimo
enfia logo o pau, e faz com que se esmague
Minha alma, no pau ora nasce, ora morre;
e se for possível,
não deixe a buceta me segure até os bolos,
assistes de todos prazeres dessa sorte!
SONETO LUXURIOSO – III
É esse pau que eu quero, não um tesouro!
É ele quem pode me fazer feliz!
Mesmo um pau digno duma Imperatriz!
Joia vale mais do que um poço de ouro
Ai de mim, meu pau, ajude, estou morrendo
e encontre bem a foda na matriz:
afinal, um pau curto não combina,
se quiser manter decoro na cama.
- Minha dona, a dona fala o fato;
quem tem pau pequeno e fode na cama
Já merecer um balde de água fria.
Quem tem pouco, fode no cu dia e noite:
mas quem tem um qual meu, opressor e feroz,
sempre se satisfaz com as mulheres.
- É verdade, mas nós somos tão ávidos
por pau amplo, e nos pinta tão prazeroso,
que faz a nossa bunda tremer toda.
DUBBI AMOROSI
DÚVIDA I
Porcia, sempre fora fiel, havia casado
Muitos anos com anuência do esposo,
mas, como nunca conseguiu ter filhos,
era apontada com dedo por todos:
um camponês astuto mandou chamá-la
e gerou um número infinito de filhos;
cá o esposo a avalia uma vergonha,
será que pode acusá-la em adultério?
Resolução I
Lei sobre a corrução geral, segundo o texto,
diz na Lei Juliana sobre o adultério:
quando o esposo não se acusar logo
a esposa, que lhe causa tal desonra,
Sabe ela, por mui anos, jeito desonrosa,
se entrega a outros para se refugiar,
não poderá mais acusá-la do crime,
e ela poderá se confiar a outros sem notas.
DÚVIDA III
Panta, pressionada pela indigência,
concedeu sua passagem a um jovem sábio,
que achou o caminho não muito estreito.
Nem arrumou ver a ida sem se molhar.
Ele mudou em caminho e seguiu o mais direto,
e auferiu o tributo dos bens alheios.
Ele perturbou essa posse tão alheia;
e esse caminho deve-lhe ser preso?
Resolução III
O costume que dessa minha terra,
composto em latim e alusivo à servidão,
causa que, a quem não tenha porta pra passar,
Vizinho seja obrigado a concedê-lo;
e assim também se ele tiver sido raso,
por algum acidente ou por vontade divina.
Portanto, afirmo que ele não agiu mal,
pois o caminho deve ser mais próximo.
Pietro Aretino - TRAD. ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
Nenhum comentário:
Postar um comentário