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sexta-feira, outubro 30, 2026

PIERROT LUNAIRE LIEDS Otto Erich Hartleben (1864 –1905) - SOBRE POEMAS DO BELGA ALBERT GIRALD - TRADUÇÃO ERIC PONTY

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 P/DR.WLADIMIR SALDANHA

 A Lua Cheia


Vinho ébrio com olhares,
Lua, ao entardecer em ondas,
Sendo uma maré dum dilúvio
Num horizonte fez silente.


Desejos alarmantes e delicados,
Sobrenadar ao ensejo sem cifra,
No vinhedo sorvido com olhares,
Lua, ao entardecer em ondas.


Poeta, incitado pela devoção,
Envenenar-se com bebes bentos,
Mudando à cabeceira ao céu
Cabeceira inerte, sorve e solve
Vinho é ébrio com olhares.

 2. Columbina

 
As flores pálidas luares,
Rosas alvas d´admiração
Brotam noites de julho,
O que lhe quebraria uma!


Aliviar tristeza angustiada,
Corrente abrumada acharei
Estas flores lívidas lunares,
Rosas alvas d´admiração.


Todo meu anseio fartado
Se pudesse ser tão fado
Tão felizmente silente
Acima buços sobrancelhas
Luz da Lua brotar lívida!

 O dândi


Com um magnífico feixe de luz
Lua fulgura facões cristalinos
Sobre lavatório breu, mui bento
Na dança silente do Bérgamo.


Em cuia de bronze pra tingir
Ri-se intensa fonte, o som metalino.
Num delirante feixe de luz
Lua fulgura os facões cristalinos.


Pierrot com a face de cera
Pondera e pensa: irá se maquiar?
Impele o rubro e o verde oriental
E pinta sua face de jeito brioso
Num delirante feixe de lua.

 Uma lavadeira lívida


Uma lavadeira lívida
Lava panos lívidos durante a noite;
Braços nus, prateados e alvos
Se distendem até o dilúvio.


Ventos rastejam por meio campestre,
Silente, se mover o fluxo.
Uma lavadeira lívida
Lava xales lívidos durante essa noite.


E submissa dama do céu,
De ramos suaves acariciados,
Espalham sobre prados abrumados
A textura de linho intensa
Duma lívida lavadeira.

 Valsa de Chopin


Qual lívida gota de sangue
Colorir lábios duma pessoa acamada,
Por isso, se apoia em impressões
Numa graça destrutiva.


Acordes luxuriosos selvagens [perturbar]
Dum sonho glacial do desalento...
Como lívida gota de sangue
Realçar beiços duma pessoa acamada.


Quente e exultante, doce e languinhenta,
Melancólica Valsa infeliz,
Não pode ausentar-se da minha cabeceira.
Me agarra aos meus pensamentos
Numa lívida gota de sangue!

 TEATRO


Estou sonhando com um teatro de câmara,
Cujas persianas Breughel pintaria,
Shakspeare, os palácios pálidos,
E Watteau, os fundos âmbar.

Nas noites frias de dezembro,
Aquecendo meus dedos roxos,
Estou sonhando com um teatro de câmara,
Cujas persianas Breughel pintaria.

Acendido pelo gengibre,
Você veria os Esquilos Feiosos...
Usar seus bezerros emaciados,
Para Columbine, que se arca.
Estou sonhando com um teatro de câmara.

 Otto Erich Hartleben (1864 –1905) - SOBRE POEMAS DO BELGA ALBERT GIRALD - TRADUÇÃO ERIC PONTY

 

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