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P/DR. WALDIMIR SALDANHA & LETÍCIA CARVALHO
A Loucura, do erro, pecado, a avareza
Ocupam nossas mentes e afligem nosso ser,
Nós devoramos nosso aprazível remorso
Como mendigos se nutrem teu verme clareza.
Nossas culpas são aferradas, pesar é covarde;
Mandamos um alto preço às nossas confissões,
E regressamos alegres ao caminho do lodo,
Crer choros lavam todos nossos laivos arde.
Sobre a almofada do mal, Satã, trismegistro,
Incessante acalma nossas mentes seduzidas,
E o metal nobre nutre das nossas vontades
É total vaporado por este sábio alquimista.
O Diabo segurando as cordas que nos movem!
Em coisas abjetas, desvendamos encantos;
Todos dias descemos um passo Inferno prantos,
Sem horror, através da depressão que fedem.
Como rodo sem bronze com beijos e mordidas.
Torturas ao peito de uma velha prostituta,
Nós roubamos como calhamos prazer secreto
Apertamos muito dura como laranja seca.
Junto, abundando, como um milhão destas larvas.
Legião de Demos farrear nosso cérebro travas,
Quando respiramos, Morte, aquele rio invisível,
Desce nossos pulmões prantos envoltos críveis.
Se estupro, o veneno, as adagas, do incêndio
Ainda não bordado cartuns amenos compêndio.
A tela banal de nossas vidas lamentáveis,
É porque almas não têm ousadia aceitáveis,
Mas entre os chacais, panteras, as cadelas,
Macacos, escorpiões, urubus, ofídios, delas.
Gritos, uivam, rosnando, rastejam quais monstros,
Na bagunça imunda de nossos vícios adentro.
Há mais feio, mais perverso, que é mais sujo!
Ainda não faças bons gestos nem grãos gritos.
Ele faria livre desta terra um caos em cujo
Bocejo, engula ser do mundo ritos;
Ele é tédio! – Teu olho lacrimejar quais prantos,
Sonhar com andaimes fumar sua guita d’água.
Tu o conheces leitor, purgado monstro manto.
– Leitor hipócrita, – meu comparte –, meu irmão!
Publicado em La revue deux mondes em junho de 1855
CHARLES BAUDELAIRE - TRAD. ERIC PONTY

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