PARA ERIC
No megafone
a história se revela,
nos subúrbios os tanques avançam lentamente,
nosso copo
se enche de seda,
nós permanecemos de pé.
SUA SOMBRA LOIRA,
com o freio de nadar,
agita a manta de água,
—Você também,
teria direito a Paris,
se mais amargamente você,
se contivesse—,
sua marca na coxa, incolor,
esboça a levade quase completa.
AS ABISSO VAGAM: humgravel—:
você pode resolver isso
com sensações de entorpecimento
e insônia,
e se — as iscas assombrarem
o mastro até o topo—,
se aqui também os
emblemas dos pesadelos passassem esvoaçando,
você estaria saqueando a si mesmo,
de forma até mesmo dominadora,
sua fissão.
A BANDEIRA MEIO ROÍDA
devorará todas as terras longe do mar,
todos os mares longe da terra,
um nome a mais
—ei, você, anime-se!—
tem de suportar
uma cifra,
você, incontável:
você é um sem sinal,
à frente de todos eles,
todos.
HORA DE BRINCAR: as janelas, elas também,
leem em você todo esse mistério
a partir de seus redemoinhos
e o refletem
no além de olhos gelatinosos,
mas
aqui também,
onde você sente falta da cor, um ser humano se afasta, sem silêncio,
onde o número tenta imitar você,
a respiração se coagula, em direção a você,
fortalecida,
a hora para ao seu lado,
você fala,
você se levanta,
muito firme acima
dos mensageiros parabolizados,
pela voz,
pela matéria.
GLÓTIDA ABERTA, fluxo de ar,
a
vogal, eficaz,
com o único
formante,
impulsos consonantais, filtrados
pela clareza nítida
de longe,
escudo protetor: consciência
incatecível
eu e você também,
superverdadeiro
o olho,
a memória voraz que rola
mercadoria
sinal,
o lobo temporal intacto,
como o tronco da visão.
OREGLITTER, nas profundezas do
turbulento, nossos antepassados.
Você se ajuda a si mesmo
assim,
como se
as angiospermas falassem
uma palavra clara,
com elas.
Trombone de traço de giz.
Na depressão cárstica,
o que se perdeu encontra
expansão, clareza.
PAUL CELAN - TRAD. ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA

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