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terça-feira, outubro 13, 2026

O LIVRO DE JOB - III - TRAD. ERIC PONTY

Que pereça o dia em que nasci,
E a noite que disse: “Eis um homem!”
Que esse dia se torne trevas!
Que a luz do alto não o ilumine,
Nem o raio do sol incida sobre ele!
Que as trevas e a sombra da morte se ofuscar!
Que a nuvem se pose sobre ele!
Que as trevas do dia o aterrorizem
Que a escuridão total desse dia o domine!
Que ele não seja um dos dias do ano,
Nem seja contado entre os dias do mês!
Que os encantadores do dia o banam,
Os adeptos em despertar o Dragão!
Que aquela noite se torne árida como pedra!
Que nenhum grito alegre de ato de nascer a invada!
Que as estrelas de seu crepúsculo se abrumem!
Que ela espere em vão pela luz,
nem contemple as pálpebras da aurora!
Pois ela não trancou minha(s) porta(s),
nem escondeu a angústia dos meus olhos.

Por que não nasci morrendo, —
Saindo do ventre apenas para expirar? —
Ó, por que os joelhos me acolheram, —
E os seios para que eu pudesse mamar? —
Pois então eu teria me deitado e ficado em silêncio; —
Eu teria dormido; então a paz seria minha! —
Feito reis e conselheiros do povo, —
Que reconstruíram ruínas para seu prazer; —
E como príncipes que possuíam muito ouro, —
Que enchiam suas casas de prata:
Ou teria sido um aborto pregado, --
Quais bebês que nunca viram a luz.
Lá os ímpios deixam de ser enfurecer;
E lá os cansados descansam.
Juntos, os prisioneiros repousam;
Não ouvem a voz do capataz:
Pequenos e grandes estão lá;
E o escravo está livre de seu senhor.

Por que se dá luz ao que sofre,
E vida aos que estão tristes? —
Que esperam pela morte em vão,
E a buscam em vez de tesouros, —
Que se alegram além da alegria,
E se regozijam quando acham a sepultura, —
Ao homem cuja passagem está oculta,

Ele me alimenta com o pão dos suspiros,
E eu derramo meus gemidos como água.
Se temo uma coisa, ela se abate sobre mim,
E o que temo me acontece.
Não tenho nem alívio nem bonança, —
Nem descanso, e a angústia se acostar-se.

Deve-se dirigir a palavra aos enfermos?
Mas quem pode se conter de falar?
Eis que tu já restabeleceste muitos,
E fortaleceste as mãos amainadas:

Tuas palavras levantavam quem tropeçava,
E tu fortalecias os joelhos dobrados.
Mas agora isso recai sobre ti, e tu estás vencido;
Isso te atinge, e tu ficas perplexo.

Não é a tua piedade a tua garantia,
E a perfeição dos teus caminhos, a tua esperança?
(Pensa agora: quem, sendo inocente, já pereceu?
E onde os justos foram exterminados?
Pelo que sei, são os que lavram a angústia
E os que semeiam a miséria que a colhem:
Pela rajada de Sua ira são aniquilados.

As presas do leão estão quebradas,
E os dentes dos leõezinhos, arrancados:
O leão velho perece por falta de presa,
E os filhotes da leoa são dispersados.

Mas, para mim, uma palavra se insinuou,
E meu ouvido captou um sussurro de voz;
Em pensamentos acordados por visões noturnas,
Quando o sono profundo se abate sobre os homens.

Um medo tomou conta de mim, e, tremendo,
Cada osso do meu corpo estremeceu de medo;
E um sopro desliza sobre meu rosto, —
E faz os cabelos da minha cabeça se arrepiarem. 
E eis que Shaddai está passando!
Ele se detém, mas não consigo discernir Sua forma;
Uma silhueta está diante dos meus olhos;
Ouço um murmúrio:

Pode um mortal ser justo diante de Eloah,
Ou um homem ser puro diante de seu Criador?
Eis que Ele não confia em Seus servos,
E não dá glória aos Seus anjos:

Muito menos nos seres de barro,
Cujo alicerce está no pó;
Que são esmagados ao raiar do dia, —
E entre a manhã e à tarde são despedaçados!
[Por falta de discernimento, perecem para sempre;
Morrem por falta de sabedoria.] 

JOB - III - TRAD. ERIC PONTY

  

POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA 

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