Se meio da paisagem desta lida,
desencontrei num caos já perdido,
que deu rumo direito nesta vida.
Ah, quanto escrevê-la empresa pura,
Este caos paisagem, arde, e forte,
E que o tremor no pensamento acura.
E tal langor, só a maior na sorte,
Mas quando ao céu que ali me encontrei,
Outras Terras direi deste meu forte.
Não posso argumentar bem o entrei,
Tal pensamento estava àquele ponto,
Em que o caos voraz abandonei.
Depois, Deus, de uma d´águas, fez pronto,
Surgido onde findava abismo lento,
Que ao dia ao coração trouxe em confronto,
Vejo daqui vi seus ombros, perto,
Revestidos clarezas, dia completo,
Separação que forma o rumo certo.
l
Errante palmilhasse vagamente
Qual a paisagem de Minas, espessa,
e na torre da tarde um sino louco
se misturasse ao som de meus palatos
sendo pausado e seco; margens pairassem
no céu de cinzas, e suas nuvens pretas
sutilmente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda sêus montes
e de meu próprio ser desentranhado,
A efigie do Job jaz se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter olhado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um tom que fosse impuro
nem um brilho maior que o ponderável
Pelas pupilas vastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela visão exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria epifania sua debuxada
no verbo do mistério, nos abismos.
Abriu-se em palma pura, e convidando
quantos pedidos e intuições restavam
a quem de os ter olhado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e versos sempre repetimos
os mesmos sem Lenheiros tristes périplos,
convocando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o fato inédito
da natura mítica das coisas mistas,
assim me disse, embora voz alguma
ou tinir ou eco ou simples percussão
atestasse ninguém, sobre a façanha,
A outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
teu ser contrito e nunca demostrou,
mesmo afetando dar-se ou refazendo,
e a cada instante mais se retraindo,
veja, repara, ausculta: essa miudeza
sobrante a toda auréola, essa abnuência
sublime e formidável, mas hermética,
essa fatal explicação da vida,
do perplexo primeiro e singular,
nem conheces jamais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre tua crença para agasalhá-la.”
As mais soturnas fontes e edifícios,
que nas oficinas se colabora,
o que ideado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
recursos que se erra dominados,
e as ilusões e os impulsos e os tormentos
Se tudo que definha o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
Já chega às plantas para se embeber
São sons rancorosos dos saltérios,
retorna ao fundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas vaidades altas mais que todos
monumentos erguidos à vontade:
Sê a memória do Deus, fez e o solene
sentimento tez forte, que padece
no talhe da existência mais gloriosa,
Tudo se apresentou nesse relance
e me clamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e o preceito,
Na esperança mais mínima — nesse zelo
que ver desvanecida a treva espessa
que entre raios do Deus inda se filtra;
Tais em defuntas sanhas convocadas
presto e fremente não se produzissem
que de novo tingir a neutra face
que vou pelas paisagens demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante em mim há tantas tardes,
Passasse a comandar minha verdade
que, já de si volúvel, encerrava
semelhante a essas dores reticentes
De si mesmas feridas e fechadas;
De quão se um tom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei olhares, incurioso, lasso,
desdenhando olhar a coisa ofertada
que se abria gratuita a meu empenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a paisagem de Minas, pedregosa,
e a efígie do Job jaz, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que vertera,
seguia vagaroso, nos chãos densos.
II
Qual Pallas palmilhasse densamente
Passagem de Minas, pedregosa,
qual no olhar tardio da cena rouca
se misturasse ao tom de meus encantos
que era pausado e surdo; manhãs pairassem
no céu de zimbro, e suas cores pretas
lentamente se abrem diluindo
na escuridão maior, vinda das mentes
e de meu próprio ter desenganado,
A Miragem da Pallas se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de a ter olhado me carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir luz que fosse tão impura
nem um clarão maior que o aceitável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do aspecto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria efígie sua debuxada
na face do mistério, nos abismos.
Abriu-se em alma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter olhado os já pudera
e nem desejaria recobrá-los,
se desvão e para sempre repetimos
mesmos sem rotineiros ristes périplos
convidando-os a todos, numa sorte,
a se aplicarem sobre o rosto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim disse, senhora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a façanha,
a outro alguém, diuturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca demonstrou,
mesmo afetando dar-se ou se adendo,
e cada momento mais se retraindo,
olha, ressalta, ausculta: essa pureza
sobrante a toda fábula, sapiência
altiva e formidável, mas hermética,
Graça fatal explicação da vida,
esse traço primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu preceito a agasalhá-la.”
As mais soberbas mentes e edifícios,
que nas oficinas se colabora,
o que atestado foi e logo se atinge
instância superior ao pensamento,
os recursos que erra tão dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser campestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às santas bocas se embeber
nesse tom rancoroso dos mistérios,
dá volta a Pallas e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas vaidades altas mais que todos
monumentos erguidos à vaidade:
memória dessas deusas, e o solene
sentimento de sorte, que floresce
na face da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anseio
de ver desvanecida a relva espessa
que entre raios do sol ainda se filtra;
como defuntas graças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelas passagens demonstrando,
e como se outro ter, não mais daquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si solúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas repletas e fechadas;
como se um tom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando solver a coisa oferta
que se abria gratuita a meu empenho.
O clarão mais estrito já pousara
sobre a passagem Minas, pedregosa,
e a Miragem da Pallas, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que jazera,
passei vagaroso, de olhares densos.
III
Meu coração ressoava-me refrão,
não sei se mais da lide de Sião,
Em como vim versar nesta ilusão,
tendo-me do crido guia nesta canção.
Meu coração ressoava-me refrão,
não sei se mais do verso de Sião,
Do artesanato Rosário jaz chãos,
cá apresentação, plena à anunciação.
Sê gentes diz de nós, mover sinas,
pobre de mim Severino de Minas,
cujas foram metas no rio das pias,
não tiveram justa uma missa cria.
Fui empós dele e mal estava a ir,
E eis um estrondo mágoa tão vizinha,
Que a nossa voz mal se podia ouvir,
Minas está diante de mim caminha.
Sê é do rio que por si descaminha,
As margens, murmurar a nossa tinha,
Em São Benedito do alpe, refeito,
Grande mal de mil rios fosse efeito;
Não dera tempo de dizer amém
No tempo que gastaram a partir;
Pelo que meu guia quis ir além,
pobre de mim Severino detém.
Se aos outros, bem pouca luta imposta
Disseram, bons dizeres constituis,
Feliz de ti, que falas como poetas,
Até rojar-se enfim no leito posta.
A gente nossa e os ganhos desleais,
Orgulho e intemperança originaram
Em ti Francisco- já gente cuida mais,
Mas diz: valor e cortesia moram.
Assim, de uma alta escarpa se desata,
Este que ouvimos soar – bronze cobre,
Tão alto, que à audição logo maltrata,
Ah, sinos os homens devem ter ao dobre.
Sendo é verdade, mas que disponha,
Com cara de mentira, cale o homem,
Ou sem ter culpa, vai passar vergonha,
Não cá, pelos rios vãos consomem.
Desta passagem, escutador eu juro,
- Ou à glória alongada não lhes ouço.
Vindo, por este mesmo ar grosso,
Maravilhosa em coração mais duro.
Como o que torne ao fundo mais ancho imprima,
Para soltar a âncora encravada,
No escolho ou mais que o mar feche e comprima,
Minha lide peregrina da dor que arda.
IV
Os ruídos surgem exalaram pompas,
Passam na mensagem, surdinas trompas,
Qual Minerva longo céu aposte logros!
pascer, do sempre mármore do agro!
Após ser do apesar, fulgidas Tebas,
resguarda avantesma crê catacumbas,
Audácia pura fim ateando a bruma
No inaudível do céu mausoléu duma.
Discreta fronte véu pastorear!
Mitra apreciar essa luz que repousa,
ópera gasta eterna ecoa-se à lousa.
Ó templo anima abunda despejar!
Aceder ouros climas vão acercava
friezas das minas, quisto nos transcreva.
Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
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